Antes do último jogo do Flamengo, eternizei uma vitória de 2025 sobre o Internacional. Não trouxe completamente sorte, mas ao menos Flamengo empatou no final do jogo, escapando da derrota. Antes do jogo de hoje contra Vitória no Maracanã, escolho mais um jogo do ano passado, um jogo eterno desde o apito final, até antes.

No mês de agosto de 2025, Flamengo vivia uma grande fase, com 5 vitórias consecutivas e classificações na Copa do Brasil e na Copa Libertadores. Apenas Pedro vivia uma fase mais difícil, com um papel de reserva e apenas 2 gols em 20 jogos! O centroavante aproveitou o jogo entre as duas datas da Copa Libertadores para fazer dois gols contra o Internacional no Brasileirão, e fez mais um gol saindo do banco contra o mesmo Inter, na Copa Libertadores. Agora Pedro ganhava mais uma chance como titular. Em 25 de agosto de 2025, o técnico Filipe Luís escalou Flamengo assim: Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira, Alex Sandro; Saúl, Jorginho, Arrascaeta; Gonzalo Plata, Samuel Lino, Pedro.

Flamengo atropelou já no início do jogo. No primeiro minuto, Pedro levou perigo na grande área, sem conseguir chutar. Flamengo recuperou a bola e atacou de novo. Com apenas dois minutos de jogo, Pedro fez a jogada de pivô para Arrascaeta, que abriu na esquerda com Samuel Lino. O ponta, que tinha feito apenas uma assistência e sequer um gol nos seus 7 primeiros jogos com o Manto Sagrado, fintou de pé esquerdo e chutou de pé direito. A bola passou entre as pernas do goleiro, no fundo do gol. Flamengo já estava na frente no placar.

No minuto seguinte, Flamengo fez pressão alta e forçou o time de Vitória a recuar até o goleiro, que errou no passe longo. O time rubro-negro ganhou a bola perto do gol adversário. Com um toque só, Arrascaeta tocou para Pedro. O artilheiro eliminou o zagueiro com uma finta de chute sensacional. De pé esquerdo, de cavadinha, Pedro venceu o goleiro e fez seu primeiro golaço do dia. Assim, no seu estilo particular, Pedro chegava aos 100 gols no Maracanã: 11 com Fluminense e 89 com Flamengo, que lhe davam o 8o lugar dos artilheiros do estádio e o primeiro lugar considerando apenas o Novo Maracanã. Um ídolo da Nação.

O Flamengo continuou a dominar o jogo e fazer belas jogadas, sem marcar. Pedro recuperou uma bola e tentou do meio da rua, mas não fez o gol que Pelé não fez. O trio Pedro – Arrascaeta – Samuel Lino voltou a funcionar, mas Lucas Halter salvou em cima da linha e impediu o segundo gol de Samuel Lino. No final do primeiro tempo, mais um show rubro-negro. Jorginho fez o passe para Arrascaeta, que tocou de calcanhar para Plata, que completou a tabelinha sensacional com um passe de peito. Arrascaeta abriu na direita para Varela, que cruzou de primeira. A bola chegou até a segunda trave, até Samuel Lino, que dominou meio de canela, meio de joelho, e tocou atrás para Arrascaeta. O idealizador da jogada também foi o finalizador. O craque uruguaio chutou firme, sem chance para o goleiro, para fazer mais um golaço. No intervalo, Flamengo já vencia 3×0. E era só o início.

Quando um time tem três gols de vantagem no intervalo, é de costume que o segundo tempo fique mais calmo. A vitória já é garantida, o ritmo cai. O Flamengo de Filipe Luís era diferente, se aproximando do de Jorge Jesus em 2019. O time queria fazer pressão, ganhar a bola de volta rapidamente, queria atacar de novo, fazer gols e a alegria da Nação. E neste dia, a chuva no Rio de Janeiro se transformou em chuva de gols no Maracanã.

O início do jogo viu um Flamengo avassalador, o segundo tempo também. A jogada foi bem simples, bem direta. Na direita, Luiz Araújo trocou de lado para Samuel Lino, que dominou e tocou no centro para Pedro. O artilheiro tinha muito espaço, muito mais do que precisa para fazer um gol. E não perdoou. Dominou, abriu o pé, fez o gol. Simples assim. Três minutos depois, Flamengo fez mais uma grande jogada coletiva, com troca de passes curtos e precisos no lado direito, com Jorginho, Arrascaeta e Luiz Araújo, que abriu na direita para mais um cruzamento de Varela. Do outro lado, o garçom virou artilheiro, Samuel Lino cabeceou e aproveitou da defesa fraca do goleiro para fazer mais um gol, o quarto do Mengo, o segundo dele.

Cinco minutos depois, o artilheiro voltou à sua função de garçom, com mais um golaço. Cercado pela defesa do Vitória, Samuel Lino passou entre dois defensores, passou a bola entre as pernas de Lucas Braga e tocou de trivela. Pedro deixou passar até a segunda trave, até o chute firme de Luiz Araújo, que fazia seu primeiro gol do dia.

Cinco minutos depois, quando o Maracanã estava iluminado com a luz dos celulares dos torcedores, chegou o verdadeiro golaço do dia, que definitivamente eternizou o jogo. De novo Arrascaeta no início da jogada, de novo para Samuel Lino na esquerda. De novo, Samuel Lino cortou no meio e deixou de trivela para Pedro. E chegou a luz do artilheiro do Novo Maracanã. Não sei se Pedro antecipou, anteviu a jogada ou foi de inspiração sem pensar nem racionalizar. Mas fez. Fez um elástico digno de Sérgio Echigo, Rivelino, Romário, Ronaldo, Ronaldinho ou Neymar. Fez o elástico sensacional que deixou o zagueiro Lucas Halter do outro lado e lhe abriu o caminho do gol. Ainda precisava fazer o gol para eternizar o drible, e Pedro conseguiu deixar a jogada ainda mais bonita com uma cavadinha em cima do goleiro. O golaço do jogo, eleito com todos os méritos o gol mais bonito do Brasileirão de 2025. Explicou o próprio Pedro depois do jogo: “Acredito que foi o mais bonito da minha carreira pela jogada individual, pelo elástico que eu tirei em um espaço curto. Acredito que o futsal me ajudou muito para fazer esse drible. Eu faço bastante esse drible também no treinamento. Hoje pode sair no jogo”.

Flamengo fez 7 gols em apenas uma hora de jogo e fez o oitavo no final do jogo, com um pênalti de capitão Bruno Henrique, para deixar esse jogo ainda mais histórico. Foi a maior goleada do Flamengo no Brasileirão, igualando o 8×0 contra Fortaleza em 1981. Também foi a terceira maior goleada do Brasileirão, atrás apenas do Corinthians 10×1 Tiradentes de 1983 e do Vasco 9×0 Tuna Luso. Ou seja, é a maior goleada do Brasileirão dos pontos corridos. Para fechar, lembro que o jogo aconteceu num dia 25 de agosto, exatamente seis anos depois do jogo contra Ceará e da bicicleta eterna de Arrascaeta.
Para mim, falando apenas de beleza plástica, talvez os dois gols mais bonitos do Flamengo na história do Brasileirão.

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”