Sem jogo até o final de semana, eu vou antecipar o jogo contra Botafogo com um jogo eterno que completa hoje 48 anos. O Clássico da Rivalidade sacudia o coração do Rio de Janeiro desde 1913, mas também foi jogado em outras cidades como Niterói, Juiz de Fora, Fortaleza, Belém, Manaus. E, por duas vezes, até foi jogado fora do Brasil, em Buenos Aires em 1953, com vitória rubro-negra por 3×0, e em 1978, na Europa, em Milão.

Em 1978, Flamengo jogou o Brasileirão sem Toninho Baiano e Zico, convocados na Seleção brasileira para a Copa. Flamengo foi eliminado na terceira fase e logo depois partiu para uma excursão na Europa. Perdeu a final do Troféu Teresa Herrera contra o Real Madrid e se vingou uma semana depois, conquistando o Troféu Palma de Mallorca, em cima do mesmo Real Madrid. Depois, viajou até a Itália para o Torneo Città di Milano. Na estreia, perdeu 1×0 contra o Milan, apesar de “uma partida equilibrada, com predomínio alternado das equipes”, segundo o Jornal do Brasil. De seu lado, Botafogo perdeu contra a Juventus pelo mesmo placar.

Assim, o Clássico da Rivalidade acontecia na Europa, valendo um terceiro lugar da Taça Cidade de Milão. Em 27 de agosto de 1978, o técnico Cláudio Coutinho escalou Flamengo assim: Raul; Toninho Baiano, Manguito, Nelson, Júnior; Cléber, Paulo César Carpegiani, Adílio; Lino, Tião, Cláudio Adão. Do lado botafoguense, o time comandado por Zagallo vivia dias conturbados com um conflito entre o presidente e alguns jogadores sobre o pagamento para os jogos disputados na Europa.

No San Siro, mais de 55 mil tifosi viram o Clássico da Rivalidade entre Flamengo e Botafogo. Flamengo, “com seu meio campo em tarde de muita inspiração, predominou a maior parte do tempo”, segundo o Jornal dos Sports. O primeiro gol saiu aos 32 minutos de jogo, aliás, um golaço. “Adílio recebeu a bola na intermediária, driblou em velocidade dois zagueiros adversários e chutou com perfeição, forte e colocado, fazendo 1 a 0”, descreveu no dia seguinte o Jornal do Brasil.

E Flamengo nem esperou para fazer o segundo gol. Relato agora para o Jornal dos Sports: “Daí em diante, tranquilo, só deu Flamengo. E um minuto depois, aos 33, mal o Botafogo havia dado a saída Cléber, penetrando pela meia esquerda e também de fora da área, surpreendeu Zé Carlos com um balaço a meia altura no canto esquerdo”. O Cléber, então com 19 anos, era uma promessa do Mengo e foi muito bem no jogo, como avaliou o JDS: “Se não bastasse o golaço que marcou, sua noção de espaço e boa colocação em campo lhe garantiriam atuação destacada”. Porém, depois do campeonato carioca de 1978 conquistado pelo Mengo, não confirmou e saiu do clube no ano seguinte.

De volta a Milão, no segundo tempo, Flamengo fez apenas questão de garantir o placar e o terceiro lugar. Injustamente deixado de fora para a Copa do mundo, Júnior foi eleito o melhor do jogo pelo Jornal dos Sports: “O melhor da defesa e do time. Muito inspirado, fez tudo certo e ainda encontrou tempo para ir ao ataque. Duas tabelinhas que praticou com Adílio foram aplaudidas”. E não foram só Júnior e Adílio, o JDS deixando em manchete: “Milão aplaudiu o Fla”. E, como no Brasil e na Argentina, na Europa também, o Clássico da Rivalidade era do Mengo.

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”