Três dias depois da classificação do Flamengo em cima do Cruzeiro na Copa Libertadores, os dois times já se reencontram, no Mineirão, para mais uma rodada do Brasileirão. Antes do jogo, eu vou lembrar um outro Cruzeiro x Flamengo no Mineirão, no Brasileirão de 2018, pouco depois de outro confronto na Copa Libertadores.

Cruzeiro foi um dos grandes times do Brasil da década de 2010. Foi bicampeão do Brasileirão em 2013 e 2014 e bicampeão da Copa do Brasil em 2017 e 2018. Inclusive, em 2017, conquistou o título em cima do Flamengo, se vingando da eliminação na Copa do Brasil de 2013. Flamengo e Cruzeiro se reencontraram nas oitavas de final da Copa Libertadores de 2018 e, apesar de uma vitória rubro-negra no Mineirão, deu Cruzeiro. Era a vez do Flamengo de se vingar.

O jogo do Brasileirão de 2018 aconteceu na penúltima rodada. Com cinco pontos a menos que o Palmeiras, Flamengo ainda tinha uma chance de ser campeão, mas apenas matemática. A partida foi durante a semana do Dia da Consciência Negra e o Flamengo teve uma linda ideia de estampar nas camisas o nome de jogadores negros que fizeram história no clube. Em 25 de novembro de 2018, o técnico Dorival Júnior escalou Flamengo assim: César; Pará, Rhodolfo, Léo Duarte, Renê; Willian Arão, Cuéllar, Diego; Éverton Ribeiro, Vitinho, Uribe.

No Mineirão, o primeiro lance de perigo foi para Arrascaeta, que ainda vestia a camisa do Cruzeiro e que, três meses antes, tinha feito no Maracanã o primeiro gol do confronto entre a Raposa e o Mengão na Liberta, precipitando a eliminação do Flamengo. Dessa vez, o chute passou bem longe do gol. Aos 7 minutos, apareceu outro jogador que vestiu as duas camisas: Éverton Ribeiro. Bicampeão brasileiro com o Cruzeiro, Éverton Ribeiro já tinha feito em 2013 um golaço contra Flamengo, com chapéu sobre Luiz Antônio e bomba na gaveta, um gol que até lhe valeu uma placa no Mineirão. Cinco anos depois, agora vestindo o Manto Sagrado, Éverton Ribeiro partiu do mesmo lado do campo do Mineirão, escapou da marcação frágil de Thiago Neves, mais um que jogou nos dois times, deixou a bola entre as pernas de Egídio e, com pouco ângulo, combinou força e efeito para vencer o goleiro Fábio. Um golaço digno de Beto, de quem ER7 vestia a camisa, uma pintura que seria eleita merecidamente o gol mais bonito do Brasileirão de 2018.

No segundo tempo, de novo no minuto 7, número eternizado por Éverton Ribeiro, Cuéllar, vestindo a camisa 8 do eterno Adílio, achou ER7 a 25 metros do gol. O ídolo dominou, girou e mandou a bomba, com efeito, com força, com precisão para o segundo golaço do dia. Éverton Ribeiro fazia valer mais uma vez a lei do ex, fazia mais um gol de placa.

Cruzeiro reagiu, David quase fez um gol, mas Pará salvou em cima da linha. Egídio pegou de voleio e foi a vez de Rodolfo salvar em cima da linha. Numa bomba de Edílson, César fez ótima defesa. No final do jogo, o Mineirão se conformava com a derrota, vaiava Éverton Ribeiro e provocava a torcida do Flamengo. Ao mesmo tempo, no Rio de Janeiro, o Vasco não ajudou o rival, perdeu para o Palmeiras, que conquistou assim o Brasileirão. O Mineirão reagiu com cantos de “cheirinho” para zoar o Flamengo e esquecer da própria derrota. Um mês e meio depois, Flamengo contratava mais um craque do Cruzeiro, o camisa 10 Arrascaeta. Era o início de uma história vencedora que dura até hoje.

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”