Hoje é um dia especial para todos os rubro-negros, é o aniversário de Deus, Nosso Rei, Zico. O maior artilheiro, o conquistador de tudo, o Galinho de Quintino. O apelido de Galinho foi dado pelo radialista Waldir Amaral, por causa do cabelo longo de Zico, mas também pelo estilo brigador em campo. Zico era pura magia, mas não fez mais de 500 gols com o Manto Sagrado apenas com a perna direita, mesmo tão talentosa. Zico também era raça, brigador, cabeceador mortal.
No Brasileirão de 1980, Flamengo estreou com vitória 1×0 sobre Santos, gol de Zico claro. Em seguida, venceu o Internacional no Maracanã, um jogo eterno no Francêsguista, outro 1×0, outro gol de Zico. Na terceira rodada, perdeu contra o Botafogo de Paraíba, a única derrota no primeiro turno do Flamengo, que acabou no segundo lugar. No segundo turno, Flamengo foi líder invicto, se vingou da derrota contra Palmeiras no ano anterior com um antológico 6×2, outro jogo eterno no Francêsguista. Zico não jogou os dois últimos jogos do turno, fechando sua participação com uma vitória 2×1 sobre Santa Cruz, sem gol dele.
No Brasileirão de 1980, mais poderoso e perigoso que o Zico, o Zico que não tinha feito gol no jogo anterior. Até aqui, tinha acontecido 4 vezes no campeonato e Zico reagiu assim: um gol contra Mixto e a Ponte Preta, 2 gols contra Palmeiras, 4 gols contra Itabaiana. Para o jogo contra Desportiva Ferroviária, o gol de Zico estava quase já escrito, só restava a saber como. O jogo valia a estreia da terceira fase, em que apenas o líder do grupo era classificado para semifinal. No 10 de maio de 1980, o técnico Cláudio Coutinho escalou Flamengo assim: Cantarele; Toninho Baiano, Rondinelli, Marinho, Júnior; Andrade, Paulo César Carpegiani, Zico; Reinaldo, Tita, Nunes.
Depois de 20 dias sem jogar, Zico voltou bem, num Maracanã vazio para a época, com 26 mil pagantes. No lado esquerdo, Júnior cruzou para a segunda trave, Zico cabeceou e abriu o placar. De novo, Zico não era só a perna direita, tinha o cérebro para antever a jogada, o testo para concluir a jogada. Mas Zico não era o cabeceador clássico, que pula, cabeceia e vê o que vai. Numa outra bola, agora na direita, Nunes driblou o goleiro e cruzou para Zico. O cabeceio era obvio, necessário, desejado pela Nação. Só que Zico, mesmo com a bola chegando do outro lado, viu um zagueiro se colocar na linha do gol, substituindo o goleiro, pronto para a defesa. Assim, o Galinho pegou o tempo necessário para matar a bola de peito e mandar de voleio a bola na rede, sem chance para o último zagueiro.
No segundo tempo, jogada com os três jogadores que já participaram dos gols do primeiro tempo, Júnior para Nunes na direita, que cruzou na meia altura. O jogador comum pode se atrapalhar, duvidando entre o chute alto, a cabeçada baixa. Zico não, Zico é craque, é brigador, é artilheiro. Sem pular, porque não precisava, cabeceou, fez o terceiro gol do jogo, o terceiro dele. Três gols de bola alta, porque Zico mexia a maestria na bola no chão com a raça no jogo aéreo, para fazer sempre a alegria da Nação, a glória do Flamengo.









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