Sem jogo do Flamengo hoje, aproveito mais uma vez do momento para eternizar um jogo aniversariante, de 35 anos atrás. O jogo é eterno, um dos maiores confrontos do futebol mundial, o Fla-Flu. Já a competição não entrou na história, a chamada Copa Rio.
A primeira edição da Copa Rio aconteceu justamente em 1991. A Copa do Brasil ainda era recente e tinha 32 participantes por edição, os campeões estaduais, além dos vices para as maiores federações. Para a Ferj, era melhor ter dois campeões. A federação carioca criou então a Copa Rio, para designar o segundo representante na Copa do Brasil. A competição foi idealizada pelo presidente da Ferj, Eduardo Viana, também torcedor do Americano. “A premissa desse torneio era uma vergonha. Ele foi criado para ver se o Americano era o campeão”, julgou para GE o jornalista Roberto Assaf.
A Copa Rio não era bem vista pelos grandes do Rio, que tinham de jogar mais uma competição desnecessária. Flamengo estreou com duas vitórias, 2×1 contra Campo Grande no Ítalo del Cima e 2×0 contra Olaria na Gávea, com pouco brilho em campo, com pouca atenção da mídia e da torcida. Porém, o jogo seguinte era diferente, era o Fla-Flu, o clássico que começou 40 minutos antes do nada. “O Fla-Flu é um clássico que fascina a torcida e esse encantamento mágico que o cerca é certamente a ligação histórica que une os dois clubes. Por isso é que cada edição desse jogo, que parece ungido pelos deuses do futebol, tem como moldura uma plateia que não é vista habitualmente no Maracanã”, escreveu no dia do jogo o Jornal dos Sports. Já o Jornal do Brasil foi um pouco mais reservado e julgou que “só a mistica anima o Fla-Flu da Taça Rio”.
O Jornal dos Sports realmente parecia chamar a torcida para o Fla-Flu: “Não importa se vale pontos ou não. Muito menos o local. Pode ser em Juiz de Fora, no Caio Martins, ou seja lá onde for. Mas é claro que no Maracanã, valendo pontos, é muito mais empolgante. Por isso, mesmo com uma competição esvaziada, onde os cartolas fazem tudo para desmoralizá-la, o Fla-Flu de hoje tem tudo para ser empolgante. E será sempre o maior clássico do futebol brasileiro”. Em 23 de junho de 1991, sem o convocado Wilson Gottardo e o machucado Gaúcho, o jovem técnico Vanderlei Luxemburgo escalou Flamengo assim: Gilmar; Ailton, Júnior Baiano, Rogério Lourenço, Piá; Charles Guerreiro, Júnior, Zinho, Djalminha, Marcelinho Carioca; Nélio.
Os esforços do Jornal dos Sports não foram suficientes para lotar o estádio. Tinha um pouco mais de 8 mil presentes, um dos piores públicos do Fla-Flu no Maracanã. Em campo, Flamengo começou melhor o jogo. “Logo de início pôde-se observar que o Flamengo estava mais disposto, mais ousado e querendo partir em cima do adversário”, julgou o Jornal dos Sports quando o Jornal do Brasil foi mais severo, vendo dois times “igualados na mediocridade, recheadas de erros e incompetência”. Teve poucos lances perigosos e a diferença se fez na bola parada, com um jovem mestre, Marcelinho Carioca. Bem perto do gol, bem no seu estilo particular, Marcelinho bateu a falta levemente, com efeito, quase oferecendo a bola para a gaveta tricolor. Golaço.
Ainda no primeiro tempo, num bate-rebate de cabeças que justificou o jogo feio que viu o Jornal do Brasil, Ézio colocou a bola em cima da defesa rubro-negra e Marcelo Gomes conseguiu empatar. No segundo tempo, de novo Flamengo dominou, “atacava com mais frequência, mas não chegava a ameaçar com perigo”. Assim, mais uma vez a diferença se fez na bola parada. Flamengo teve outra falta, agora de bem longe. Claro, o Marcelinho Carioca podia bater forte, mas a cobrança caiu para um zagueiro, Júnior Baiano ou Rogério. Júnior Baiano fintou, Rogério chutou com força, achou a rede tricolor.
Sem brilhar, Flamengo conseguiu a vitória no Fla-Flu e ficou na liderança, o que foi o caso até o final da fase de grupos. Na final, Flamengo enfrentou o Americano de Eduardo Viana e conquistou o título invicto e inédito. Pior que no final, o torneio valeu por nada: Flamengo venceu o Brasileirão de 1992, se classificou para a Copa Libertadores de 1993 e assim, desistiu de jogar a Copa do Brasil de 1992. Isso era o nível da bagunça dos torneios no início dos anos 1990.









Deixe um comentário