
Francês desde o nascimento, carioca desde setembro de 2022. Brasileiro no coração, flamenguista na alma. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.
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Times históricos #2: Flamengo 2015

Todos os times do Flamengo são históricos, todas as escalações fazem parte da história do Flamengo. Claro, tem times mais históricos e menos históricos, o de 2015 não é o melhor, mas tem sua importância na história do clube.
Para mostrar a qualidade do elenco de 2015, basta dizer quem jogou mais partidas durante o ano: Márcio Araújo (56 jogos), Pará (53), Héctor Canteros (53), Wallace (48) e Everton (47). Basta dizer que o camisa 10 era Lucas Mugni. Basta dizer que o principal nome das contratações do início do ano era Marcelo Cirino. Um time muito limitado, que vinha de um ano 2014 muito difícil, onde o rebaixamento foi uma possibilidade real.
Desse time, odiava entre outros Márcio Araújo e Gabriel, que jogou muito no Flamengo, mas só em termo de números de jogos. Incrível que Gabriel vestiu mais de 200 vezes o Manto Sagrado e muitos poucos jogos foram realmente bons. Mas confesso que desses perebas todas gostava muito do Anderson Pico. A aparência física, o chute poderoso nas faltas, era quase um Roberto Carlos, só faltava a técnica, a rapidez, a inteligência de jogo e muitas outras coisas. Mas gostava dele, acho que todo mundo tem um carinho para algumas perebas, que tinham espaço no Flamengo.
2015 começou com a saída de um ídolo, Léo Moura, que teve até jogo de despedida, que depois mostrou que não merecia. Mas pelo tudo que fez no Flamengo, os 519 jogos, os 47 gols, os 8 títulos, merecia no momento. Foi uma festa linda no Maraca.
No campeonato carioca, foi ruim o Flamengo, eliminado contra Vasco, com Wallace cometendo um pênalti bobo. Esse dava raiva. Mas teve um outro Flamengo x Vasco histórico nesse campeonato carioca. Foi o jogo da chuva, quando o jogo foi interrompido durante 50 minutos por causa da chuva. Alecsandro fez um gol, aproveitando da bola parada por causa da chuva na saída de bola do goleiro, Alecsandro fez um outro de pênalti, teve comemoração de guarda-chuva, teve briga generalizada. Até um time ruim pode fazer história.
Na Copa do Brasil, foi ruim o Flamengo, eliminado de novo contra Vasco, com Wallace expulso no primeiro jogo. Esse dava muita raiva. No jogo de volta, foi Pará que foi expulso. Também dava raiva. Vasco foi o carrasco do Flamengo nesse ano, mas quem foi rebaixado no fim do ano foi o próprio Vasco.
No Brasileirão, foi ruim o Flamengo, perdendo os dois clássicos contra o rebaixado Vasco. Flamengo esperou o sexto jogo para enfim ganhar, já com Cristóvão Borges no lugar do Vanderlei Luxemburgo. Até de técnico Flamengo era ruim. Depois, teve Oswaldo de Oliveira, bem melhor, que ganhou seis jogos seguidos, fez Flamengo voltar ao G-4, uma coisa inesperada, não vista desde 4 anos e 137 rodadas. Mas o time caiu de novo de produção com 2 vitórias, 2 empates e 9 derrotas nos últimos jogos. Pelo menos, não foi rebaixado, contrário ao Vasco.
Mas não foi tudo ruim. Durante o ano, Flamengo contratou Pablo Armero, Ederson, Emerson Sheik, Alan Patrick, Paolo Guerrero. Nomes de peso, destaque para o Guerrero, internacional peruano, ídolo do Corinthians. No campo, esses reforços não foram tão bom, mas a politica de austeridade do presidente Eduardo Bandeira de Mello se aproximava do fim. Salários em dia, nova administração, novas fontes de renda, Flamengo se profissionalizava, tinha mais credibilidade. No site Colunadofla, Bandeira de Mello explicou: “Acredito que 2015 já é melhor que 2014, que foi melhor que 2013. É possível que este ano a gente já possa, não diria ousar, porque tudo que a gente faz é extremamente responsável, mas já possa pensar em jogadores que, talvez, não conseguisse pensar no ano passado. Agora, 2016 e 2017, com certeza, vão ser bem mais confortáveis”. Em 2016, vieram Réver, Cuellar, Diego, em 2017 Diego Alves, Everton Ribeiro, Conca. Não só sucessos, mas o ano de ouro de 2019 se aproximava. E por isso, valia a pena de viver o ano de 2015.
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Na geral #3: Mais uma final

Ontem foi minha volta ao Maracanã. Desde 2019 que não estava no templo do futebol. Um 7 de julho, dia de meu aniversario, quando o Brasil conquistou a Copa América contra o Peru. Mas era de verdade minha volta ao Maraca desde 2017, porque em 2019 faltava uma coisa, faltava o Flamengo.
Antes do jogo de ontem, fui em quatro jogos do Flamengo, três no Maracanã. O primeiro foi no Pacaembu, só fui em São Paulo porque Flamengo estava lá. Depois, tive muita sorte, no Maraca, foram um Clássico dos Milhões e dois Fla-Flu, os da Sudamericana de 2017. Uma primeira vitória 1×0 na ida, gol de Everton, para chorar de emoção. E um empate 3×3 na volta, para vibrar como nunca, cantar, gritar, rezar, sonhar. Esse jogo merece um capítulo na categoria dos jogos eternos. E tive muita muita sorte, nos três jogos, estava na tribuna Norte.
Ontem, minha volta ao Maraca não foi completa, porque não estava na Norte. Só ficava ingressos na Oeste quando meu plano de sócio-torcedor abriu. Flamengo no Maraca para mim é tribuna Norte, é frustrante de olhar a tribuna de lá, de ver eles cantar quando tenho pessoas conversando ao meu lado. Ontem, a menina perto de mim passou a metade do jogo sentada, sem nem ver o jogo. Fica na sua casa menina, que o seu sofá deve ser mais confortável. Mas mesmo na Oeste, a entrada dos times em campo foi emoção, o clima depois do gol do Arrasca foi emoção. Vibrei, vibrei com o quase golaço de Gabigol, que fora desse lance, não fez um bom jogo. Vendo o lance de novo, fico ainda mais decepcionado, seria um gol histórico. Mas vibrei com o gol do Arrasca, com a assistência do Everton Ribeiro, que fizeram um grande jogo.
Agora o Flamengo está na final, sem tremer, fazendo o que precisava para se classificar. Estou louco para ganhar a Copa do Brasil, desde muito tempo. Desde que o Flamengo começou a ganhar tudo de novo, falta só dois títulos: o Mundial e a Copa do Brasil. Gosto da Copa do Brasil, mata-mata, emoção, virada, e para o clube, dinheiro. O Flamengo precisa ganhar essa Copa do Brasil, contra Corinthians ou Fluminense, minha preferência vai para o Fluminense. Porque pode ser a vingança da final do Carioca, porque será mais dois Fla-Flu, no Maraca, onde fui muito sorteado e espero ser sorteado de novo. O mais importante será ganhar, imitar o Palmeiras de 2020, e talvez, sonhar como uma tríplice coroa inédita.
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Jogos eternos #2: Flamengo 2×1 Grêmio 2009

Já falei que a categoria dos jogos eternos será para relembrar os grandes jogos do Flamengo, seja por uma goleada, uma virada, a grande atuação de um jogador, um golaço, servir de pré-jogo, mas tem coisa ainda melhor, que é conquistar um título. Como vai ser o caso para a lembrança de hoje.
Vamos falar de um título brasileiro, no Maracanã, após 17 anos de espera. Em 2009, eu tinha 17 anos, nasci com o Flamengo campeão. 17 anos é longo, foram 5.831 dias sem o Flamengo ser campeão brasileiro.
Em 2009, o time era bom, com dois craques, que já brilharam no Flamengo no início do século. Petkovic, o Rambo, camisa 43, que relembre um outro jogo eterno, uma virada, um golaço de falta. Em 2009, fez gols de falta contra Coritiba e Vitória, mas ainda é mais lembrado para os gols olímpicos contra Palmeiras e Atlético. Outro craque, Adriano, o Imperador, camisa 10 depois de ser camisa 29, 27, 92, 90, 100, 9 na temporada. Em 2009, fez três gols na goleada contra o Inter, fez um gol na virada contra Santos, fez uma grande atuação no Fla-Flu, fez um golaço contra Coritiba. Ganhou o título no final.
O campeonato de 2009 parecia perdido. O clube era na 11a colocação, 11 pontos atrás do líder. Imaginar o Flamengo campeão era motivo de piadas. Não para o presidente em exercício Delair Dumbrosck, que trouxe de volta no banco um ídolo do clube, Andrade. Flamengo se recuperou, ganhou jogos e posições na tabela. Afinal, São Judas Tadeu, o patrono das causas impossíveis, também é o padroeiro do Flamengo.
Para o último jogo da temporada, Adriano era de volta depois de se queimar o pé, com uma moto, um churrasco, uma lâmpada, sei lá. Pela primeira vez, o Flamengo era o líder e só precisava de uma vitória contra Grêmio para gritar “É campeão”. Grêmio só precisava perder para agradecer seus torcedores porque o grande rival, o Internacional, ainda podia ser campeão, no ano do seu centenário, 30 anos depois do último título. Para o Inter, é muita espera também, são 15.606 dias de espera. 15.607 dias amanhã.
No Maracanã, no dia 6 de dezembro de 2009, foram 84.848 almas, esperando só um gol para vibrar. Na verdade, foram mais do que 84.848 torcedores. Não tem o número exato, mas vendo o jogo, dá para perceber que tem muito mais gente, que tem torcedores em lugares onde não tem cadeiras. Se puder voltar no passado e escolher um jogo para assistir no Maracanã, provavelmente seria aquele Flamengo x Grêmio. Nunca conheci e nunca vou conhecer de perto o antigo Maraca, mas esse Maracanã, da reforma para os Pan-Americanos de 2007, é meu Maraca, era aquele estádio quando comecei a assistir aos jogos.
Eu não assisti ao jogo ao vivo, porque na época ainda era difícil para mim de achar um streaming e claro, o jogo não era retransmitido na televisão francesa. A solução foi de ir no site da Globo, para ver o placar ao vivo, a descrição escrita de alguns lances, vibrar com a atualização às vezes automática, às vezes forçada, da página. Nada do Flamengo, tudo pelo Flamengo.
Quando era de esperar um jogo fácil, Aírton fez tremer o Maracanã, abrindo o placar pelo Grêmio. No minuto seguinte, Alecsandro abria o placar no Beira-Rio. Flamengo não era mais o virtual campeão. Mas dez minutos depois, na grande área gremista, Adriano levou a mão, reclamou de uma mão e queria o pênalti. O quase desconhecido David Braz, jogando apenas por causa da suspensão do Álvaro, continuou o lance e deu um pouco de alívio ao Maraca, empatando o jogo. Ainda não era suficiente, no intervalo, o Internacional ganhava agora 3×0 e era o megacampeão. Agora a palavra é para o futuro herói do jogo, Ronaldo Angelim, no livro 20 jogos eternos do Flamengo, de Marcos Eduardo Neves: “No intervalo, pela primeira vez vi o Andrade chateado. Concordamos com ele. Tinha que ser na raça. Precisávamos pressionar de alguma forma”.
Flamengo voltou na raça no segundo tempo e no escanteio de Petkovic, que ia ser substituído, Ronaldo Angelim, o único Ronaldo rubro-negro, foi lá no céu do Rio, realizando a premonição de sua mulher. De cabeça, o Magro de Aço, flamenguista desde criança, virou o jogo, fez o Flamengo campeão, depois de 5.831 dias de espera. Ronaldo Angelim fez apenas um gol no Brasileirão 2009, mas só com esse gol só, e muita raça claro, se eternizou como um dos grandes ídolos do Mengão. O Flamengo, enfim, era o campeão do Brasil.
Para fechar, duas citações das duas grandes figuras do hexacampeonato, Petkovic e Adriano, do livro 6x Mengão de Paschoal Ambrósio Filho:
“Dizem que minha chegada levantou o grupo, mas foi o contrário. Foi esse grupo que me levantou e me fez seu líder em campo. É fácil ser líder com o respaldo de um grupo de guerreiros. Dizem que sou velho, sinto orgulho em ser comparado com o Júnior, que comandou o Mengo no título de 1992, com 38 anos de idade. Posso ser velho na idade, mais ainda sou muito jovem na força de vontade. O Flamengo merece ser campeão todo ano. Essa torcida merece” Petkovic
“Não acordei deste sonho. Nem vou acordar tão cedo. Para mim esse título vale muito mais. Voltei ao Brasil muito mal. Estava triste e queria voltar a sorrir. Vejo que tudo que fiz valeu a pena. Essa conquista é muito importante para mim e para a minha família, que ficou ao meu lado quando eu estava sendo criticado por muita gente” Adriano
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Ídolos #2: Carlinhos

Comecei na categoria dos Ídolos com meu ídolo particular, Obina, que também é ídolo da Nação. Agora, um ídolo que nunca vi jogar, mas que deve ser ídolo de cada flamenguista. É o Luís Carlos Nunes da Silva, o Carlinhos.
Tem jogadores que jogaram em todos os quatro clubes do Rio, como o Léo Moura ou o Paulo César Caju, que talvez um dia terão o artigo deles na categoria dos Idolos. Outros jogaram no Flamengo e no Vasco, no Flamengo e no Fluminense, outros no Flamengo e no Botafogo ou em 3 dos 4 clubes. Dessa lista, tem ídolos e menos ídolos, tem o Romário e Petkovic, que com certeza um dia terão o artigo deles na categoria. Tem jogadores que no Rio só jogaram no Flamengo como Arrascaeta e Gabigol, os novos ídolos. E tem jogadores que no Brasil só jogaram no Flamengo como Zico e Júnior, os maiores ídolos.
E tem jogadores como Carlinhos, que na carreira inteira, só jogaram no Flamengo. Ao lado deles, ainda menos jogadores, e da classe dele, só Leandro. Carlinhos é um nome a parte na lista dos ídolos de Flamengo. Meio-campista clássico, tinha tanta classe que o apelido dele, o Violino, porque seu futebol parecia música clássica. Adoro o apelido dele, acho um dos mais estilosos do futebol brasileiro. O Violino, que jogava futebol como um Mozart tocava música.
Luís Carlos Nunes da Silva nasceu no 19 de novembro de 1937 e chegou no Flamengo em 1954. Nesse ano, recebeu as chuteiras do Biguá, em fim de carreira, como símbolo, um presente de um craque antigo para o novo craque. E não foi um erro. Carlinhos começou como profissional em 1958, mas era reserva do Dequinha. Depois, Dequinha quebrou a perna e Carlinhos virou titular ao lado do Gérson, para formar um meio-campo de tanta técnica, de tanta classe, que não parecia justo para os adversários. Fez seu primeiro gol em 1959, jogou numa excursão na Europa em 1960, ganhou o Rio – São Paulo em 1961. Agora a palavra para a Revista do Esporte em agosto de 1961: “Carlinhos pode ser apontado como um dos melhores médios de apoio do futebol carioca. Clássico e inteligente, fez com que a torcida do Flamengo esquecesse mais depressa seu antigo ídolo Dequinha, de quem Carlinhos herdou muitas qualidades no manejo da pelota. Quando se fala dos nomes dos craques que irão ao Chile, em 1962, o nome do centromédio rubro-negro vem à baila, numa prova do quanto o seu futebol vem sendo apreciado”.
Foi pre-convocado para a Copa de 1962, mas finalmente não fez parte de uma lista onde tinha muitos, muitos campeões do mundo de 1958. Não vi Carlinhos jogar, nem o Zequinha do Palmeiras, que foi convocado, mas acho uma injustiça. Carlinhos merecia ser campeão do mundo, não foi, mas foi campeão carioca, em 1963, no maior Fla-Flu da história, pelo menos de ponte de vista do publico, 194.603 torcedores para admirar o futebol do Violino. Em 1970, para a revista Placar, Carlinhos falou: “Mesmo que vivo cem anos, não posso esquecer o 0 a 0 contra o Fluminense, em 63, quando fomos campeões. Foram minutos de tensão e luta. A própria torcida, normalmente tão barulhenta, só conseguiu gritar no fim da partida, e aí foi um carnaval na cidade inteira”.
Infelizmente, Carlinhos não viveu 100 anos, nos deixou em 2015. Mas teve tempo suficiente para fazer muitas coisas, ganhar um outro campeonato carioca, em 1965, ganhar o Belfort Duarte, para completar dez anos sem nenhuma expulsão, além de clássico, o futebol do Violino era limpo. Como técnico, de novo no Flamengo, ganhou o Brasileirão em 1987 e 1992. Para mim, é o maior técnico da história do Flamengo, por causa dos títulos, da ligação com o clube e com a torcida, da longevidade. Foram 830 jogos no Flamengo, 517 como jogador e 313 com técnico.
E Carlinhos fez uma coisa a mais para o Flamengo. Como Biguá deu para ele as chuteiras no fim da carreira, na sua própria fim da carreira, Carlinhos deu as chuteiras para um jovem jogador, um certo Zico. Por isso, Zico foi o escolhido para escrever o prefácio do livro Carlinhos, um maestro no meio-campo rubro-negro, de Renato Zenata e Bruno Lucena, que também vai ser o fim deste artigo: “Quando eu já estava há três anos no Flamengo, ele parou de jogar e eu fui o garoto escolhido para receber as chuteiras dele. Era um cara espetacular. Aquela tranquilidade, delicadeza, na forma como ele tratava todo mundo, envolvidos ou não no trabalho dele. Uma pessoa de diálogo. Gostava de falar sobre futebol e também era professor. Naturalmente, por dar aulas em escolas, estar toda hora diante de alunos, isso facilita, te dá muito cancha para você se relacionar com as pessoas, porque não é fácil comandar. Ser professor o ajudou muito como treinador de futebol.
E vejam vocês como é o destino. Eu pude entregar a ele a camisa do meu último jogo pelo Kashima. Foi contra o Flamengo, e o Carlinhos era o técnico. Pude retribuir o que ele havia feito por mim”.
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Jogos eternos #1: Goiás 1×4 Flamengo 1997

A categoria dos jogos eternos vai ser para relembrar os grandes jogos do Flamengo, seja por uma goleada, uma virada, a grande atuação de um jogador, um golaço ou servir de pré-jogo antes de assistir ao nosso Mengo. Para esquentar o jogo de hoje, vou falar de um outro Goiás x Flamengo, de goleada, de outros tempos no Flamengo, no início do Brasileirão 1997. Flamengo tinha começado com duas derrotas, contra Santos e Bahia, e depois se recuperou com uma vitória contra Criciúma. O jogo contra Goiás era o da quarta rodada, lá na Serra Dourada.
Começando com o time do Goiás de 1997, tem que falar de uma dupla que me fez sonhar quando era criança. Alex Dias e Aloísio. Em 1999, eles foram no Saint-Etienne, na França. Com 7 anos de idade, eu já adorava o Brasil, embora não tinha acesso aos jogos. A temporada 1999-2000 do campeonato francês foi a primeira que acompanhei, com Telefoot, um programa de televisão que era meu culto dos domingos de manhã. Um dia, chorei de raiva só porque tinha faltado o horário para assistir.
Todos os brasileiros eram meus ídolos e essa dupla Alex Dias – Aloísio me marcou. Alex Dias fez quatro gols contra o Olympique de Marselha numa vitória histórica por 5×1, ele tinha uma coisa de Bebeto, mas confesso que gostava mais de Aloísio, que era mais semelhante ao Ronaldo Fenômeno, meu primeiro ídolo no futebol. Claro, essas comparações são com proporções guardadas e de meus olhos de criança. Mas adorava essa dupla, que depois continuou no Paris SG e no São Paulo, com menos sucesso. Eu tenho um carinho pelo São Paulo de 2005-2008, que foi o primeiro grande time brasileiro que acompanhei e ainda hoje sou um grande fã de Aloísio Chulapa, adoro as resenhas dele, ele tem essa alegria de viver, sempre com um sorriso no rosto e às vezes uma cerveja na mão. Acho que não é à toa que ele é amigo do Adriano Imperador, que tem semelhanças na personalidade deles.
Voltando ao Flamengo, o time de 1997 era bom. Na Serra Dourada, tinha Clémer no gol, Júnior Baiano na zaga, Fábio Baiano no meia, mas era no ataque que Flamengo era impressionante, com uma dupla bem melhor do que Alex Dias – Aloísio, que era Romário – Sávio. Muitos gols, muita habilidade, muito carisma. Na Serra Dourada cheia, com uma maioria de flamenguistas, Flamengo precisou de apenas cinco minutos no primeiro tempo para abrir o placar, com jogada de Romário e finalização de Sávio. Com cinco minutos no segundo tempo, Sávio provocou o pênalti, Romário o transformou. O juiz mandou bater de novo, Romário bateu com a mesma tranquilidade e fez o gol. Um outro pênalti, agora com força, de Aloísio, fez o Goiás voltar a esperança.
Mas Romário é matador, goleador. Deixou Goiás sem esperança, com dois gols no finalzinho do jogo. Um de cabeça para o Baixinho, e um golaço de falta, à la Zico. Flamengo ganhava com tranquilidade, mas voltou a perder três jogos seguidos num campeonato finalmente conquistado pelo arquirrival Vasco. Mas só pelas jogadas do Romário, valia a pena relembrar esse jogo contra Goiás.
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Na geral #2: A criação do consulado Fla Paris

Esse artigo é para contar um pouco de um dos melhores feitos de minha vida, a criação do consulado Fla Paris. De meu ponto de vista obviamente. Para mim, começou no Twitter com um cara chamado e-van no Twitter, que eu não conhecia bem, mesmo de um modo virtual, mas que falou que um amigo dele procurava pessoas de Paris para fazer um consulado do Flamengo em Paris. Não sabia o que era um consulado do Flamengo, mas morava em Paris e era muito Flamengo. Topei.
Depois, foi o Nicholas Reis, fundador da Embaixada Fla-Portuga que me contou um pouco sobre os consulados do Flamengo. Um consulado precisa de cinco sócios-torcedores para ser fundado, com o objetivo de atrair outros flamenguistas para assistir aos jogos do Flamengo juntos, fazer brilhar o nome do Flamengo no mundo inteiro, e aproveitar dessa força para participar em ações sociais. Topei.
E-van, Ivan na vida real, me deu o contato do Cidel, que morava em Paris e queria criar um consulado aqui. Criamos um grupo no Whatsapp com outras pessoas interessadas. Cidel foi o primeiro a se tornar sócio, depois foi o Felipe. Para mim, teve um problema típico de gringo no Brasil. Não tinha CPF, o que é obrigatório para se tornar sócio. Foi Dudu Barbosa, coordenador dos consulados do Flamengo, que me falou de fazer um CPF fictício para me registrar como sócio. Fiz e funcionou. Agora podia ser sócio-torcedor do Flamengo. Topei.
Uma confissão agora. A primeira vez que fui na Rocinha, em 2017, fui num bar e comecei a falar com dois homens, de 60 anos mais ou menos. Rapidamente, falamos do Flamengo e um deles me mostrou seu cartão de sócio. O primeiro ano de registro era 1981. Falei “ano bom para se tornar sócio”. Eu me tornei sócio-torcedor dia 3 de setembro de 2019. Também um bom ano para botar seu pequeno nome na grande história do Flamengo.
Eu fui o terceiro, depois teve o quarto, o Waldez, e o quinto, que foi o Hugo. O consulado Fla Paris era criado, um 19 de setembro de 2019. Também no movimento da criação do consulado, tinha Flora e Irene, apesar de não ser sócias-torcedoras. Depois teve uma racha por causa de uma matéria sobre a criação do consulado. Quem não era fundador virava fundador e quem era fundador desaparecia. Coisa não muito importante para o consulado, quem é o consulado Fla Paris é quem vai se reunir no bar, assistir ao jogo com outros flamenguistas, participar no grupo no Whatsapp, participar nas ações sociais.
O objetivo dos consulados é de se reunir para assistir aos jogos juntos, mas ainda faltava um bar, uma casa. O primeiro jogo do consulado foi o jogo de ida da semifinal da Libertadores contra Grêmio, 2 de outubro de 2019. O bar escolhido foi The Moore, em Châtelet, no centro de Paris. Foi o consulado do Grêmio em Paris que abriu sua casa para receber os flamenguistas. Quando o futebol é assim, futebol é muito lindo. Por causa do trabalho, não fui. Meu primeiro jogo no consulado foi o jogo de volta, no 23 de outubro de 2019. O cincum. Também um bom jogo para estrear no consulado Fla Paris.
Antes do jogo, fui beber algumas cervejas com Piriquito, companheiro do time de futsal, parceiro das cervejas no bar, irmão flamenguista. Depois, fomos no The Moore e relembro que perto do balcão do bar, vi os outros fundadores, Cidel, Felipe e Waldez. Relembro que Felipe foi o primeiro a me reconhecer, depois foram abraços com pessoas que ainda não conhecia, mas que já eram meus irmãos. Inclusive, a foto no topo do artigo é desse dia, desse momento. Do dia do 5×0.
No bar, tinha 3 gremistas e 50 flamenguistas. Flamengo é muito maior do que o Grêmio. A Wi-Fi era muito fraca, perdemos vários lances do jogo. Em Paris, o gol de pênalti do Gabigol nunca chegou nas redes. Mas eramos juntos, torcendo juntos, vibrando juntos, graças e por causa do Flamengo.
Quando era adolescente, estava muito sozinho com minha paixão. Ninguém, ou quase, conhecia Flamengo na França. Isso era bom nos dias seguintes de derrotas, mas tinha ninguém para zoar depois de uma vitória num clássico. Só com meu melhor amigo podia falar sobre o Flamengo, assistíamos muitos jogos do Flamengo juntos. No domingo, era PSG na televisão e Flamengo no computador. E eu olhava mais o computador do que a televisão.
Mas nas quartas-feiras, 2:30 de manhã na França, estava sozinho. Gosto muito de assistir aos jogos sozinho, em plena noite. Às vezes, um grito contido é mais forte ainda. Relembro de muitos jogos de noite, vitórias ou derrotas, e a impossibilidade de dormir depois, as 4 ou 5 de manhã, apesar do trabalho no dia seguinte. Mas naquela noite do cincum, não estava sozinho mais, estava com irmãos flamenguistas. Relembro do outro gol do Gabigol, no início do segundo tempo. Estava na rua, perto do bar. Alguém assistia ao jogo no celular, eu não vi o gol, não vi nada, mas ele gritou e celebramos juntos, com dez pessoas abraçadas, pulando, gritando, vibrando. Foi um dos gols mais emocionantes que (não) vi no Flamengo.
O cincum foi histórico para o Flamengo e para o consulado Fla Paris. Depois, teve outros capítulos, outros momentos mágicos, outros jogos eternos, que falarei nos próximos artigos. Pelo momento, esse foi, para mim, como a Fla Paris surgiu entre os outros consulados e embaixadas do Flamengo, nos quatro cantos do mundo.
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Ídolos #1: Obina

A lista dos ídolos do Flamengo é grande, é gigante, tão gigante que o Flamengo é gigante. No topo, claro, Zico. Cada flamenguista tem sua própria lista, com nomes consagrados e nomes mais esquecidos. Cada flamenguista tem seu ídolo particular e nessa categoria vou falar sobre jogadores mais comuns, talvez até perebas, mas que vestiram o manto sagrado.
Mas para começar essa categoria, nada de pereba, embora ele não esta também de grande habilidade. Meu ídolo particular, meu primeiro ídolo, foi ídolo da Nação. Tem o mesmo nome do que um dos meus maiores ídolos no futebol, o Garrincha. Manoel Francisco dos Santos para driblar na direita e cruzar para o gol de Manoel Brito de Filho, o Obina. Até escolher o nome de Manoel para meu filho faz sentido.
Comecei a acompanhar o futebol brasileiro de clubes em 2005. Antes, não faltava a paixão, faltava o acesso as informações. Tudo que eu podia ter sobre futebol de clubes brasileiros valia ouro. Relembro de uma matéria do Onze Mondial sobre o Vasco, relembro de algumas imagens do Telefoot sobre as pedaladas do Robinho em 2002, o gol de Fred em 3,14 segundos na Copinha em 2003, a briga do Romário com um torcedor do Flu também em 2003. Poucas coisas, muitas poucas coisas. Única coisa que eu tinha do Flamengo era a figurinha do Edílson no álbum Panini da Copa de 2002, onde tinha o clube dele, o Flamengo, que não era mais o clube dele, mas não sabia disso. Adorava Edílson só porque achava que jogava no Flamengo.
Em 2005, com acesso à Internet, descobri o site Sambafoot, em francês, porque na época eu não falava português. O site falava mais sobre a Seleção e brasileiros jogando na Europa, mas tinha algumas informações sobre o futebol de clubes. Acompanhei assim o Mundial de clubes 2005 conquistado pelo São Paulo. Depois, comecei a arriscar a leitura em português no Placar com a ajuda de um tradutor online. Enfim, o Flamengo se aproximava de mim, eu me aproxima do Flamengo. Comecei a acompanhar os melhores momentos dos jogos, comecei a conhecer os jogadores.
Obina foi meu primeiro ídolo no Flamengo. Não tinha muita habilidade, mas tinha muita raça. Um carisma forte, uma identificação incrível com a torcida. Eu adorava Obina porque a torcida adorava Obina. Na verdade, acho que meu primeiro ídolo no Flamengo foi a própria torcida.
Mas Obina merecia toda essa idolatria. Fez gols decisivos, como na final da Copa do Brasil 2006 contra Vasco, que realmente foi meu primeiro título com flamenguista. Brilhou na decisão do campeonato carioca 2008 contra Botafogo. Mas não foram só os gols decisivos contra os rivais, Obina tinha uma coisa impalpável a mais, essa pequena coisa indescritível que faz a diferença entre um jogador comum e um ídolo. E Obina realmente era melhor do que Eto’o. Essa comparação não precisa de comparações, Obina era melhor do que Eto’o, fato, todo flamenguista sabe disso.
Obina saiu do Flamengo em 2009, depois de apenas um jogo no Brasileirão contra o Santo André. Suficiente para ser campeão brasileiro, depois de ser vencedor da Copa do Brasil e tricampeão carioca. Depois, acompanhei a carreira dele com grande carinho, no Palmeiras, no Atlético-MG e no Bahia. Ainda hoje Obina é meu ídolo. Mas tinha esquecido que voltou no Flamengo em 2010, para apenas dois jogos, sem brilho. Fica outras memórias, por exemplo eu gostava do atacante nigeriano Obinna, só porque era um quase Obina. Em 2008, mudei a capa do jogo PES para ter uma especial do Obina. Na capa, na lombada, tinha só Obina, meu ídolo.
Obrigado Manoel, para todas as alegrias com você me deu com o manto sagrado.
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Times históricos #1: Flamengo 1981

Para o primeiro capitulo da categoria dos times históricos, eu vou começar com o maior time da história do Flamengo, um time campeão do mundo, um time que inspirou a Seleção de 1982, o time de 1981, que se recita como um poema : Raul, Leandro, Marinho, Mozer, Júnior, Andrade, Adílio, Zico, Tita, Nunes, Lico.
Esse time começou em 1978 com um gol de Rondinelli, contra o Vasco. Foi tricampeão em 1979. Ganhou o campeonato carioca e o campeonato carioca especial, porque esse time era especial e porque a CBD interferiu no primeiro campeonato reunindo times cariocas e times fluminenses. Mudou o formato, ficou o campeão, Flamengo. Em 1980, Flamengo foi campeão brasileiro, corrigindo uma anomalia : a Copa Libertadores nunca tinha acolhido o Mengão.
Zico passou em branco no primeiro jogo da Liberta, fez gol de falta e de pênalti no segundo. O jogo contra o Galo foi polêmico, mas a classificação do Flamengo não foi desmerecida – guardo esse jogo para um outro momento. Na final no Maraca, Zico fez dois, garantiu a primeira vitória. O jogo de volta, contra Cobreloa, foi lá no Chile. “O Flamengo entrou em campo com seu uniforme número dois. Algumas daquelas camisas brancas seriam tingidas de sangue ao longo do jogo” escreve Eduardo Monsanto no seu livro 1981, o ano rubro-negro. Foi na violência, e para Mário Soto, com pedra na mão, literalmente, que o time chileno ganhou esse jogo.
Jogo de desempate, num estádio cinquentenário, palco da primeira final da Copa do Mundo, o Centenário de Montevidéu. Mário Soto ficou na violência, Zico fica gênio da bola. Dois gols de Zico – um de falta, claro – dois a zero Flamengo, jogo podia acabar. Ainda não, o técnico Paulo César Carpegiani fez entrar o jovem Anselmo com uma missão bem simples : acertar em cheio o Soto, um soco no rosto. Missão cumprida : “O soco do Anselmo foi tão forte e certeiro que parecia ter sido dado por todo o time do Flamengo” falou Lico no livro 20 jogos eternos do Flamengo de Marcos Eduardo Neves. Anselmo expulso, Soto também, Anselmo novo herói da Nação.
Flamengo 1981 não foi só Libertadores. No campeonato carioca, se vingou do 6 a 0 sofrido contra Botafogo em 1972, com uma goleada contra o mesmo Botafogo. No intervalo, 4 a 0, “queremos seis” cantou a torcida. E foram seis, com um do Rei Arthur e no finalzinho, um de Andrade, camisa 6. O 6 a 0 do Flamengo de 1981 nunca foi vingado pelo Botafogo. A final, contra o Vasco, começou dois dias depois de um drama : Cláudio Coutinho, técnico campeão brasileiro de 1980 com o Mengão, morreu afogado, com suas duas paixões : a pesca submarina e o Flamengo. No livro de Eduardo Monsanto, o amigo Bruno Caritato lembra-se da descoberta do corpo : “O pessoal da lancha da Marinha me chamou: “É ele?” Aí eu vi o pé de pato dele. Era vermelho e preto. Ele era flamenguista, então… Sabe o pé de pato? Vermelho e preto”.
Campeão da Taça Guanabara e da Taça Sylvio Corrêa Pacheco, Flamengo só precisava de um empate nos dois primeiros jogos contra Vasco para gritar “É campeão”. Perdeu os dois, Roberto Dinamite marcando todos os gols do Vasco. No terceiro jogo, Flamengo fez dois em cinco minutos mas no fim do jogo, Vasco marcou um, se aproximou da prorrogação. Muita tensão para os 169 989 torcedores do Maracanã. Um deles, Roberto Passos Pereira entrou no campo, para esfriar a reação do Vasco. Aí o jogo ficou conhecido como “jogo do ladrilheiro”, com Roberto novo ídolo da Nação. Roberto ganhou a camisa do Zico, e em 1996, quando sua casa foi destruída por causa da chuva, procurou o Zico para assinar a camisa e a vender em leilão. Zico assinou a camisa, recusou a venda, ofereceu ao Roberto um cheque para uma vida nova. Zico ídolo de sempre da Nação.
Campeão carioca, campeão da América, Flamengo queria e merecia o mundo. Hoje, todos os grandes times brasileiros têm seu Mundial, ou quase. Em 1981, não era o caso, na verdade, só o Santos de Pelé tinha. Para ser campeão do mundo, Flamengo precisava bater o Liverpool, que tinha vencido três Taças dos Clubes Campeões em quatro anos. Flamengo só precisou de um tempo para botar os ingleses na roda. Nunes fez dois gols, ganhou definitivamente o apelido de Artilheiro das Decisões. Adílio marcou um, com a ajuda espiritual do Cláudio Coutinho. Zico, alguns anos antes de se tornar uma divindade no Japão, deu duas assistências e ficou com o carro Toyota. “Fiquei meio frustrado porque não participei do jogo. Só veio uma bola. O Flamengo podia ter jogado sem goleiro, que seria 3 a 1” lamentou-se o goleiro Raul. Em apenas 45 minutos, Flamengo deu um espetáculo no mundo, inscreveu-se na eternidade como um dos maiores times do Brasil e do Mundo.
O jogo contra Liverpool ficou na história, virou canto da torcida. Até para torcedores dos outros times, o Flamengo de 1981 é especial. “Cada brasileiro, vivo ou morto, já foi Flamengo por um instante, por um dia” dizia Nelson Rodrigues. Além dos títulos inumerosos, o Flamengo de 1981 foi bola, foi tradição. “Craque, o Flamengo faz em casa” diz o lema. Zico, Adílio, Andrade no meio de campo, Leandro, Júnior nas laterais, até Tita e Nunes voltaram no Flamengo para fazer história, marcar gols, ganhar troféus, fazer a alegria dos torcedores no Maracanã. Esse time é lembrado pelos títulos e amado pela maneira de jogar. Sempre com a vontade de ir no ataque, de procurar o gol, de fazer a jogada bonita. “Eu queria ter tido um clone pra ficar la de cima vendo o Flamengo de 1981 jogar” disse uma vez Zico. Eu também queria ver, no Maraca, o Flamengo de 1981.
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Na geral #1: Bem-vindo no Francêsguista

“Cada brasileiro, vivo ou morto, já foi Flamengo por um instante, por um dia” escreveu o tricolor e grande escritor Nelson Rodrigues. Eu particularmente não sou brasileiro, eu sou francês, mas eu sou flamenguista, por cada dia de minha vida. Uma vez Flamengo, sempre Flamengo, fala o hino popular do clube.
Bem-vindo no meu blog francêsguista, que nada vai ser sobre a França e tudo sobre o Flamengo. Vai mexer os jogos de hoje e os jogos eternos do passado, vai mexer os ídolos e os menos ídolos, mas que honraram o manto sagrado. Vai falar sobre os times históricos, de 1912 até 2022, porque cada time, cada jogador, faz história vestindo a camisa do Flamengo. Eu só preciso de duas cores para escrever, o negro e o vermelho. Flamengo sempre eu hei de ser.
Quem escreve é Marcelin Chamoin, francês de 30 anos, nascido um dia 7 de julho, mesmo dia do que o primeiro Fla-Flu, exatamente 80 anos antes do meu nascimento. Um dia depois do meu nascimento, Flamengo ganhava de 3 a 1 contra Santos no Maracanã e classificava-se para a final do Brasileirão 1992. Com a maestria do Vovô Garoto Júnior, Flamengo conquistou o pentacampeonato contra o Botafogo. Eu particularmente precisou de apenas 12 dias de existência para viver a maior emoção que existe no mundo, ser flamenguista e ser campeão. O meu maior prazer, vê-lo brilhar.
A paixão pelo Flamengo do brasileiro, vivo ou morto, não se explica, mas a origem dessa paixão pode. A paixão vem do pai, da mãe, do irmão, do primo. De um ídolo, de um jogo eterno, de um time histórico, de um primeiro jogo no Maraca, na geral. A paixão de um gringo já é inusitada, mas pode vir dos primeiros passos na cidade maravilhosa ou nos primeiros cantos no templo do futebol. A paixão pelo Flamengo é contagiante. Seja na terra, seja no mar.
Eu particularmente não sei explicar a origem dessa paixão. A paixão pelo Brasil, acho que vem da Copa de 1998. Tinha exatamente seis anos quando vi o Brasil se classificar para a final, depois de uma disputa de pênaltis contra os Países Baixos. Antes, tinha visto Ronaldo ser fenomenal contra a Escócia no jogo de abertura, talvez o início de uma paixão sem fim. Depois, foi só Brasil, apenas o Brasil, sempre o Brasil. Na final contra a França, meu país de nascimento, torcia pelo Brasil, chorei com a derrota, mas foi para um bem maior, o amor pelo Brasil. O Brasil posso explicar, o Flamengo não. Então quando alguém pergunta o porquê, respondo que as vezes as coisas bonitas não têm explicações. Que emoção no coração.
Agora, meu leitor, sentindo com você uma proximidade maior eu posso te fazer duas confissões. A primeira é que abro esse blog porque vou morar um ano no Rio de Janeiro, ou mais, se Deus quiser, e espero que vai me dar muitas oportunidades de ser feliz e de crescer como pessoa. Espero que vou me realizar, espero escrever, espero ensinar coisas que eu sei, aprender coisas que eu não sei, fazer amizades, encontrar pessoas que vão mudar minha vida, e quem sabe, encontrar a mulher de minha vida. E claro vibrar com o Brasil hexacampeão, chorar de emoção com o Flamengo, no Maracanã e em todos os cantos do Rio de Janeiro, com irmãos flamenguistas. Eu teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo.
Ultima confissão é que talvez tenho uma explicação possível para todo esse rubro-negrismo que sinto na minha carne e na minha pelé. Eu particularmente acredito na reincarnação. Acredito num outro mundo depois da morte do corpo, e que depois a alma volta nessa Terra, num outro corpo. Acho possível que na minha última incarnação, eu era brasileiro, daí todo esse amor pelo Brasil. Não sei se a reincarnação realmente existe e se numa outra vida eu era brasileiro. Mas se isso é o caso, tenho certeza absoluta que naquela vida anterior, eu era Flamengo. Então, talvez a frase “Flamengo até morrer eu sou” é incompleta, não justa. Flamengo é imortal, e se nossa alma também é imortal, então o sentimento de ser Flamengo é imortal.
Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.








