A Seleção brasileira joga hoje contra a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo. Como fiz com os jogos precedentes, escolho para a crônica do dia um jogo do Flamengo na Noruega. O Flamengo jogou lá três vezes na história, o que me dava três opções, todas de goleadas: 6×1 contra um combinado e 12×1 contra Brann em 1956, e um 5×1 contra uma seleção da Noruega em 1962.

Eu quase fui da goleada 12×1 contra Brann em 1956. Foi uma das 10 vezes que Flamengo fez 12 gols ou mais, a penúltima, quatro meses antes do 12×2 contra São Cristóvão no Maracanã. E mais, um dia depois, o Botafogo de meu ídolo Garrincha jogava em Troyes, minha cidade natal na França. Porém esse blog é sobre o Flamengo e, mesmo pesquisando, tinha poucas coisas nos jornais sobre o 12×1 contra Brann. Eu escolho então o jogo de 1962 contra uma seleção de Noruega.

E também, com um pouco de superstição, prefiro escolher um jogo em plena época de Copa do Mundo, vencida pelo Brasil. Também tem poucas coisas sobre o jogo do Flamengo de 1962 nos jornais. Tinha a guerra na Argélia, uma catástrofe aérea na França com a morte de 130 pessoas, e claro, tinha a Copa do Mundo no Chile. O Brasil estava invicto, mas devia jogar sem Pelé. Toda a fé estava no momento em cima de Garrincha e Amarildo.

Durante esse tempo, o Flamengo fazia uma excursão na Europa. Depois de jogos na Espanha, Suécia e União Soviética, o Mengão fez mais um jogo na Noruega, contra uma seleção local. Em 5 de junho de 1962, o histórico técnico Flávio Costa escalou Flamengo assim: Mauro; Décio Crespo, Vanderlei, Joubert, Jordan; Carlinhos, Nelsinho; Joel, Henrique Frade, Dida, Miranda. Destaque no time para dois campeões do mundo em 1958, Joel e Dida.

E Joel e Dida brilharam na Noruega. Sem imagens do jogo, deixo o relato quase completo, quase só de marcadores e minutos, do Jornal do Brasil no dia seguinte: “Joel fez o primeiro gol aos 12 minutos, Dida aumentou para 2 a 0 aos 17 minutos e Miranda marcou o terceiro aos 19 minutos. Aos 24 minutos Joel voltou a marcar, aumentando para 4 a 0 e Dida fez o último gol do Flamengo aos 32 minutos. Depois disso os rubro-negros se limitaram a fazer passar o tempo, numa brilhante demonstração de domínio de bola”.

Um Flamengo relâmpago fez 5 gols em um pouco mais de 30 minutos. No segundo tempo, o time norueguês fez o gol de honra, que decretou o placar final: 5×1 para o Mengão. Flamengo derrotava uma seleção nacional pela primeira vez desde 1958, quando venceu a própria seleção brasileira um pouco antes da Copa do Mundo. Só faltava para a Seleção vencer a Copa de novo…

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”