Na última crônica, eternizei um Flamengo x Santos no Brasileirão de 1992, conquistado dias depois pelo Flamengo. Hoje, eu avanço de um ano e dois dias para eternizar um outro Flamengo x Santos, no Torneio Rio-São Paulo.
O Torneio Rio-São Paulo foi idealizado pelo também eterno Mário Filho e teve sua primeira edição em 1933. Consolidou-se nos anos 1950-1960, com a construção do Maracanã e um conjunto de craques nunca visto antes e depois na história do futebol brasileiro. Inclusive, acho que no dossiê de reunificação dos campeonatos brasileiros em 2010, o Torneio Rio-SP poderia ter sido incluído. Flamengo venceu de forma não-oficial o torneio de 1940, que não teve fim, e em 1961, com atuação mágica de Dida no jogo eterno contra o Corinthians. Em 1966, o torneio de novo não teve desfecho. Um ano depois, outros estados foram representados na competição, que virou o torneio Roberto Gomes Pedrosa.
Em 1993, com um buraco no calendário antes do início do Brasileirão, o Torneio Rio-São Paulo voltou depois de 27 anos de ausência. O Jornal dos Sports viu “a restauração de uma tradição do futebol brasileiro”. Foi um torneio curto, com apenas 8 times. Dos gigantes cariocas e paulistas, apenas o São Paulo FC, com um calendário já cheio, não participou e foi substituído pela Portuguesa.
No Torneio Rio-SP, Flamengo estreou com um empate 1×1 no Fla-Flu, gol de Renato Gaúcho, que em 1995 vestiu a camisa do Fluminense e fez gol contra o próprio Flamengo. Depois, Flamengo fez outro empate 1×1, contra Palmeiras, gol de Djalminha, que em 1996 vestiu a camisa do Palmeiras e fez gol contra o próprio Flamengo. Em 1993, Djalminha fazia seus últimos jogos com o Manto Sagrado quando Renato Gaúcho voltava à sua terceira passagem no Mengo. E voltou fazendo o que sabia fazer: em 14 jogos, fez 8 gols.
A final do Brasileirão de 1992 foi disputada entre dois cariocas mas o início do Torneio Rio-SP viu uma dominação paulista nos jogos interestaduais. O empate 1×1 entre Flamengo e Palmeiras foi a única vez que um clube carioca escapou de uma derrota contra o paulista em 4 jogos. Assim, antes do jogo Flamengo x Santos, o clube carioca ainda buscava a primeira vitória da edição em cima dos paulistas. Em 10 de julho de 1993, o técnico Evaristo de Macedo escalou Flamengo assim: Gilmar; Fábio Baiano, Júnior Baiano, Rogério, Piá; Fabinho, Marquinhos, Luís Antônio, Rodrigo Mendes; Marcelinho Carioca, Renato Gaúcho.
Sem o Maracanã, fechado depois da tragédia durante a decisão do Brasileirão, o estádio escolhido também era tradicional mas bem menos histórico, o Caio Martins em Niterói. E o Mengo precisou de apenas 19 minutos para fazer um gol. Na esquerda, Luís Antônio cruzou alto, Renato Gaúcho, sozinho na segunda trave, só teve de cabecear para abrir o placar. O resto do primeiro tempo só teve uma anedota, relatada pelo Jornal dos Sports: “De destaque ainda no primeiro tempo apenas um perturbador torcedor, provavelmente vascaíno, que do prédio em frente ofuscava a visão do goleiro Gilmar com reflexos de um espelho. A Polícia Militar agiu e o torcedor sumiu”.
No segundo tempo, Flamengo voltou a dominar e Renato Gaúcho ainda foi a maior figura do jogo. “A superioridade só não foi transformada em gols em razão da boa atuação do goleiro Gomes e do azar do Flamengo nas finalizações”, prosseguiu o Jornal dos Sports. Só nos cinco minutos finais, Flamengo garantiu a vitória. Luís Antônio lançou Renato Gaúcho, que cruzou no chão na segunda trave, para o gol fácil de Marcelinho. Três minutos depois, num cruzamento de Piá, Renato Gaúcho dominou de peito, mas não conseguiu finalizar. A bola escapou até Luís Antônio, que fintou de pé esquerdo e finalizou de pé direito. “Era Flamengo 3 a 0 e agora sim o placar mostrava a verdadeira superioridade que o time teve durante todo o jogo”, finalizou o Jornal dos Sports.
Porém, Flamengo perdeu o Fla-Flu seguinte e ainda perdeu o jogo decisivo contra o mesmo Santos. Conhecia uma quarta eliminação depois de ficar fora da Copa Libertadores, da Copa do Brasil e do campeonato carioca. Os outros cariocas também decepcionaram e a final do Torneio Rio-São Paulo foi o Derby Paulista entre o Corinthians e Palmeiras. Para Flamengo, sobrou apenas a artilharia geral para Renato Gaúcho…









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