Apesar do empate frustrante contra o São Paulo, Flamengo conseguiu reduzir a diferença sobre o líder Palmeiras. O sonho de conquistar o decacampeonato brasileiro segue bem vivo. Antes do jogo contra o Internacional, lembro de um outro jogo contra o Inter de um ano atrás só, numa outra competição, no caminho do tetra da Copa Libertadores.

Na Copa Libertadores de 2025, Flamengo sofreu na fase de grupos, com os mesmos 11 pontos que a LDU Quito e Central Córdoba, se classificando graças ao saldo de gols. No jogo de ida das oitavas de final, Flamengo venceu 1×0 o Internacional no Maracanã, um placar magro, que deixava tudo aberto para a volta no Beira-Rio. Flamengo conhecia o caminho. Três dias antes do jogo, o rubro-negro já tinha vencido o clube colorado em Porto Alegre, dessa vez no campeonato brasileiro. Em 20 de agosto de 2025, o técnico Filipe Luís escalou Flamengo assim: Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira, Alex Sandro, Saúl, Jorginho, Arrascaeta; Gonzalo Plata, Samuel Lino, Bruno Henrique.

Com muitos papéis picados jogados em campo pela torcida, o jogo teve de ser atrasado de 21 minutos, tempo para os funcionários limparem o gramado. No frio gaúcho, Flamengo começou melhor. Arrascaeta fez um ótimo passe para Varela, que finalizou para fora. Na metade do primeiro tempo, Bruno Henrique abriu de trivela para Samuel Lino na esquerda. O ponta fintou, pedalou e chutou. O goleiro Rochet errou na defesa e a bola seguiu viva no outro lado, até Plata que fez o passe de cabeceio. De primeira, Arrascaeta esticou a perna e mandou na rede. Flamengo calava o Beira-Rio e já abria o placar.

Ainda no primeiro tempo, Bruno Henrique foi lançado sozinho em profundidade e quase definiu o confronto com um segundo gol, finalmente anulado por impedimento. No segundo tempo, o Internacional passou a ameaçar um pouco mais o gol de Rossi, sem fazer o gol do empate no jogo, muito menos o do empate no geral ou o da classificação. Para o Flamengo, teve uma jogada idêntica àquela do final do primeiro tempo. Bruno Henrique foi lançado em profundidade, quase saindo da parte do campo do Flamengo, e venceu o goleiro no cara a cara. De novo, o gol foi anulado por um impedimento de centímetros. Faltava pouco para ver o Flamengo definitivamente triunfar em terras gaúchas.

O técnico Filipe Luís mexeu. Bruno Henrique, autor do gol na ida, saiu aplaudido pela torcida rubro-negra e deixou seu lugar para Pedro, que tinha feito dois gols no Beira-Rio no Brasileirão três dias antes. No final do jogo, o técnico rubro-negro fez outras trocas, com a entrada de Luiz Araújo no lugar do Arrascaeta, autor do gol do dia. E cinco minutos depois, Samuel Lino abriu na esquerda para Luiz Araújo, que cruzou no chão. A bola chegou mansamente na segunda trave até Pedro, que só teve de colocar o pé para empurrar na rede. Era o gol da vitória, da classificação. Com muita autoridade e tranquilidade, Flamengo eliminava o Internacional, repetindo o feito de 2019. O sonho de um tetracampeonato sul-americano seguia vivo.

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”