Francêsguista

Francês desde o nascimento, carioca desde setembro de 2022. Brasileiro no coração, flamenguista na alma. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.

  • Jogos eternos #37: Volta Redonda 0x3 Flamengo 2001

    Jogos eternos #37: Volta Redonda 0x3 Flamengo 2001

    Flamengo volta ao Rio de Janeiro, sem o título mundial tão desejado. Pelo menos conseguiu o terceiro lugar. Agora é focar de novo no campeonato carioca, com um jogo contra Volta Redonda. Em 2001, ano do quarto tricampeonato carioca da história do Flamengo, o rubro-negro enfrentou Volta Redonda, no antigo Raulino de Oliveira.

    No 4 de fevereiro de 2001, Zagallo escalou Flamengo assim: Julio César; Maurinho (Alessandro), Juan, Gamarra, Cássio; Leandro Avila, Jorginho, Beto (Rocha), Iranildo (Fabiano Cabral); Roma, Edílson. Um time muito boma apesar da ausência de Petkovic, Reinaldo e Adriano. E tinha uma das zagas mais fortes da história do Flamengo com Juan e Gamarra.

    Com meia hora de jogo, Edílson fintou, pedalou e achou Iranildo. Iranildo driblou um, atirou um outro e achou Roma. Roma dominou, driblou um e deixou para Beto que só tinha a fazer o gol. Um gol muito simples, graças à qualidade superior de drible e de passes dos jogadores.

    No segundo tempo, Roma é mais rápido do que a defesa de Volta Redonda. Entre dois defensores, ele transmitiu a bola para Edílson, que mostrou que ele era craque. A finalização é de artilheiro, ele não se precipitou, e também não demorou. O domínio deixou o zagueiro sem possibilidade de intervir, a finta deixou o goleiro no chão. Um golaço graças à qualidade superior de um craque.

    E Edílson também foi na construção do terceiro e último gol da partida. Ele recebeu na ala direita, invadiu a grande área, fez o drible de vaca. O adversário atrasado não tinha muita possibilidade, parar o jogador com a falta ou deixar ele completar o drible de vaca. Pênalti. Edílson foi na finalização do gol. Com a mesma tranquilidade de que na bola rolada, Edílson completou o doblete na bola parada, achando o canto do goleiro. Edílson fazia seu quarto gol em 3 jogos do campeonato carioca e seria no fim do campeonato o artilheiro máximo, acabando com o reino de Romário, penta artilheiro do campeonato carioca entre 1996 e 2000.

    Nesse 4 de fevereiro de 2001, uma vitória tranquila do Flamengo em Raulino de Oliveira, no caminho de um tri inesquecível.

  • Times históricos #11: Flamengo 1979

    Times históricos #11: Flamengo 1979

    A melhor era do Flamengo começou no final do ano de 1978, com um gol do Deus da Raça Rondinelli, numa final do campeonato carioca contra Vasco. Faltava ainda confirmar, e Flamengo fez isso, de uma maneira incrível, em 1979.

    A temporada de 1979 começou com um jogo amistoso valendo uma taça, o troféu Alencar Pires Barroso, prefeito de Nova Friburgo, onde ficava o jogo, no estádio Eduardo Guinle, industrial franco-brasileiro e pai do fundador do Fluminense. O adversário do Flamengo nesse 27 de janeiro de 1979 era justamente Fluminense. E deu goleada 4×0 de Flamengo, com um gol contra e gols dos ídolos, Júlio César, Adílio e Zico.

    A primeira competição oficial do ano foi no início o chamado I Campeonato Estadual de Futebol. Pela primeira vez, os times do interior do Rio de Janeiro disputavam o campeonato carioca, e não mais o campeonato fluminense. A nova criada Ferj convocou para a disputa os 6 melhores times do campeonato carioca 1978 e os 4 melhores times do campeonato fluminense.

    Flamengo estreou com uma vitória 2×0 contra Volta Redonda. Depois, goleou America 4×0. Nesse jogo, Zico fez um gol de falta e depois teve uma outra falta, no exato mesmo lugar do campo. “É tudo igual, parece um videoteipe. Só falta a saber se a conclusão do lance será idêntica”, falou o narrador do jogo. Foi. Zico fazia um doble de faltas mágicas. Isso, só Nosso Rei.

    Em seguida, Flamengo goleou Fluminense de Nova Friburgo 5×1, de novo com dois gols de Zico. Venceu Goytacaz 1×0, um gol de Zico, driblando o goleiro e tudo. E não era qualquer gol, Zico se tornava assim o maior artilheiro da história do Flamengo, ultrapassando o ídolo Dida com esse gol 245 com o Manto Sagrado. No livro 50 anos de Zico de Roberto Assaf e Róger Garcia, Zico falou: “Entrei para a história do meu clube do coração, foi muito bonito, muito gratificante, passei a ser o maior artilheiro da história do rubro-negro, mas nunca joguei para isso, veio com naturalidade, porque se tinha algo que eu fazia mesmo era gol, embora não tivesse a ideia fixa de superar ninguém”.

    Depois, Flamengo empatou 1×1 contra Vasco, gol de Zico. Venceu São Cristóvão 2×0, dois gols de Zico e empatou 1×1 contra Fluminense, gol de Zico. Flamengo não conseguia vencer os grandes do Rio, mas pelo menos, também não perdia. E Zico não parava de marcar, uma coisa impressionante, em 4 jogos seguidos, só Zico marcou pelo rubro-negro. Flamengo também venceu o troféu João Batista Figueiredo, com uma vitória 2×0 contra o Corinthians em Brasília.

    As goleadas voltaram, 6×1 contra Americano, 3×0 contra Botafogo, 6×1 contra São Cristóvão, 7×1 contra Goytacaz. Claro, os gols de Zico ficaram. Dois contra Americano, um golaço e uma assistência mágica para Carpegiani contra Botafogo e um hat-trick contra São Cristóvão. Mas Zico ia fazer ainda mais contra Goytacaz, ia brilhar ainda mais. Fez um duplo hat-trick, isso sim, 6 gols no mesmo jogo. Um gol de cabeça, um pênalti, um segundo pênalti, um terceiro pênalti, um gol de voleio, um quarto pênalti. Quem fez o outro gol foi Júlio César, de falta. Olha a ironia, Zico, um dos maiores batedores de faltas da história, não fez o gol de falta do dia, mas fez 4 pênaltis. E 6 gols num jogo só. Ainda hoje, nenhum outro jogador no mundo fez 6 gols no maior palco do mundo, o Maracanã, onde Zico também é o máximo artilheiro em carreira, com 333 gols.

    O maior artilheiro do Maracanã com a Seleção brasileira é Pelé, com a marca impressionante de 30 gols em 22 jogos. E os dois, Pelé e Zico, o Rei do futebol e Nosso Rei, jogaram juntos com o Manto Sagrado em 1979, num amistoso contra o Atlético Mineiro. O jogo já foi eternizado nesse blog, mas vale lembrar que na frente de 139.953 sortudos, Fla goleou o Galo 5×1 com três gols de Zico, nesse jogo camisa 9. “Quando fui jogar do lado dele foi outra coisa. Abri mão da camisa 10, ele era o Rei, né?”, falou Zico, que também é Nosso Rei, mas que é de uma classe e uma humildade tão gigantes que seu talento em campo. Pelé ficou nesse dia com sua camisa 10 eterna, mas agora com o Manto Sagrado, a melhor combinação possível.

    Depois, Flamengo conseguiu três vitórias no campeonato carioca, as três com um gol de vantagem só. Maior jogo, aquele contra Vasco. Roberto Dinamite abriu o placar com um golaço de voleio, Zico empatou com outro golaço de combinações de cabeça e Adilio fez o gol da virada depois de um chute de Zico. Flamengo ainda goleou o Fluminense de Nova Friburgo e fechou o campeonato com dois empates, 1×1 contra Fluminense, gol de Cláudio Adão e 2×2 contra Botafogo, 2 gols de Zico. Flamengo ganhava as duas fases do campeonato, e vencia mais um campeonato com uma campanha impecável: 18 jogos, 13 vitórias, 5 empates, 0 derrota, 51 gols pro, sendo mais da metade, 26, só de Zico, obviamente o artilheiro do campeonato. Pela terceira vez de sua história, Flamengo vencia o campeonato carioca de maneira invicta, a primeira na era profissional, porque Flamengo só tinha conseguido fazer isso em 1915 e 1920.

    Depois, a CBF achou injusto o critério de 6 cariocas e 4 fluminenses e obrigou a Ferj a fazer um novo campeonato carioca com todos os times que participaram dos campeonatos de 1978, os 12 do campeonato carioca e os 6 do campeonato fluminense. O campeonato de 1979 vencido pelo Flamengo de forma invicta virou “campeonato carioca especial”, e um novo campeonato carioca começou no mês de maio de 1979.

    Flamengo estreou com goleada 5×0 contra Bonsucesso, com dois gols de Zico, um golaço de calcanhar e um gol de cabeça. Depois venceu Serrano 1×0, gol de Zico e goleou São Cristóvão, com 2 gols de Zico. Claro, o Flamengo de 1979 não era só Zico, tinha Júnior, Adílio, Tita, Júlio César Uri Geller, Cláudio Adão e muitos outros. E claro, Zico não era só um artilheiro completo, era também o camisa 10, de dribles curtos, de canetas, de passes preciosos, de inspirações geniais, de liderança, de carisma. Zico e o Flamengo eram tudo isso também, mas as estatísticas de Zico nesse ano eram impressionantes.

    Em seguida, Flamengo venceu Campo Grande 2×1, de novo com um gol de Zico. Flamengo chegava a 52 jogos consecutivos invictos, uma série que começou no 22 de outubro de 1978, com uma vitória 2×1 contra America e um gol de Zico. Claro, Zico também fazia gols em 1978. Flamengo igualava um recorde do futebol brasileiro, quando Botafogo ficou 52 jogos sem perder entre 1977 e 1978. E o próximo adversário era justamente Botafogo. Na frente de 139.098 pessoas no Maracanã, Flamengo infelizmente perdeu a invencibilidade, com gol de Renato Sá e atuação magistral do goleiro botafoguense Borrachinha, filho do Borracha, antigo goleiro do Flamengo.

    Uma pena não ser o único clube a ter esse recorde que ainda vale hoje, mas Flamengo brilhou nesses 52 jogos, com 43 vitórias, apenas 9 empates e dois títulos, o campeonato carioca 1978 e o campeonato carioca especial 1979. Em comparação, Botafogo ganhou 31 jogos, empatou 21 e nenhum título. Esse é uma das diferenças entre os dois times, outra é a diferença de qualidade dos jogadores e do coletivo. Esse Flamengo de 1979 é histórico, imortal, mesmo que o recorde seja superado um dia.

    E depois, Flamengo voltou a fazer o que sabia: vencer, vencer, vencer. Vencer na raça ou na maestria, mas sempre vencer. Flamengo ganhou os 11 últimos jogos da Taça Guanabara, que conquistou com uma campanha quase perfeita: 16 vitórias, uma derrota. Nessa nova série, claro teve jogos eternos e atuações magistrais de Zico. No jogo seguinte da derrota contra Botafogo, Zico fez os três gols da vitória 3×1 contra Bangu. Dois de canhoto, um de cabeça, Zico um artilheiro completo. Mas Zico ia fazer ainda mais contra Niterói, ia brilhar ainda mais. Fez um duplo hat-trick, isso sim, 6 gols no mesmo jogo. Não é um erro, Zico realmente fez 6 gols em 2 jogos distintos em 1979 depois do jogo contra Goytacaz. Contra Niterói, um gol de semi-voleio, um gol de cabeça, um gol de pênalti, um gol de cabeça, um quinto gol eterno e um sexto gol de primeira. O quinto gol é eterno porque é o gol que Pelé não fez. Não o chute do meio de campo, gol que vários jogadores já fizeram. Não, é o lance de Pelé contra o Uruguai, com a finta sem tocar a bola que deixou o goleiro Mazurkiewicz sem saber o que fazer. O gol que Pelé não fez e que ninguém outro jogador fez, menos o Zico. Contra Niterói, Zico fintou sem tocar a bola, deixou o goleiro Passarinho no chão e fez o quinto dele do dia. Isso, só Deus.

    Zico ainda fez gols nos 4 jogos seguintes e após uma pequena pausa de um jogo contra Fluminense de Nova Friburgo sem marcar, voltou a brocar com um gol contra America. No 4×3 contra Goytacaz, fez os 4 gols do Flamengo. No 2×0 contra a Portuguesa, fez os 2 gols do Flamengo. Ainda deixou o dele no 3×0 contra Olaria, driblando o goleiro antes de tocar a bola nas redes. No último jogo da Taça Guanabara, Zico abriu o placar, mas herói do jogo foi Júnior, que estreou nesse ano de 1979 com a seleção brasileira, e fez 2 gols na vitória 4×2 contra Vasco. Flamengo era o campeão da Taça Guanabara, infelizmente não invicto, mas com uma campanha excepcional.

    O segundo turno foi um pouco mais difícil, com 2 derrotas em 9 jogos. Até porque no meio do campeonato, Flamengo foi na Europa, onde disputou o Troféu Ramon de Carranza, torneio prestigio na Espanha que já foi vencido pelo Real Madrid de Di Stéfano, o Barcelona de Kocsis e o Benfica de Eusébio. Na semifinal, Flamengo estreou contra o Barcelona, vencedor da última Recopa Europeia e que tinha craques como o Krankl, o artilheiro do campeonato espanhol 1979, Rexach, também Pichichi, em 1971, e Simonsen, Ballon d’Or em 1977. Mas Flamengo não tomou conta disso e abriu o placar com apenas dois minutos de jogo e um gol do driblador Júlio César Uri Geller. E Zico fez o gol da vitória, de falta, claro. Na primeira página do Jornal dos Sports: “Flamengo botou o Barcelona na roda”. Sim, os ingleses não foram os únicos europeus a sofrer com o Flamengo.

    No dia seguinte, na final contra o time húngaro de Ujpest, Flamengo abriu o placar ainda mais rápido do que no jogo contra Barcelona. Com 13 segundos, Zico já deixava o gol dele. E foi jogada ensaiada, como falou Zico no mesmo livro 50 anos de Zico: “No vestiário, o Coutinho disse: ‘Para os húngaros, os negros são todos iguais. Eles marcavam homem a homem’, então o Coutinho pegou o Toninho e botou nele a camisa nove, pegou o Cláudio Adão e pôs nele a dois, a oito no Manguito, a quatro no Andrade… Foi tudo estudado […] O Adão se movimentou, o Júnior deu para mim e eu fiz o gol, em 13 segundos. O cara que era para marcar o Adão estava com o Toninho lá na lateral-direita e o outro com o Adão, e por aí vai”. Nosso Rei finalmente conseguiu o doblete e Flamengo conquistava um título muito respeitado na época. Para fechar a excursão, um 1×1 contra o Atlético de Madrid e uma derrota contra o Paris Saint-Germain, meu time na França. Nos dois jogos, quem marcou foi Zico. Ah Zico… falta palavras para descrever quanto gigante você foi.

    Flamengo voltou no Brasil e fechou o segundo turno do campeonato carioca no topo da tabela, com um ponto a mais do que Botafogo. Flamengo foi na terceira e última fase, com 2 pontos a mais, um para cada turno ganhado. Dois pontinhos necessários, ainda mais que com tantos jogos, Zico se machucou e ficou quase dois meses fora. Uma grande pena, porque Zico fez 36 gols nesse campeonato e tinha tudo para bater o recorde de mais gols em uma edição do campeonato carioca, que ainda pertence ao Pirillo com 39 gols em 1941. Flamengo começou o terceiro turno com 3 vitórias, mas perdeu 3×0 contra Fluminense. O jogo do título foi contra Vasco. Flamengo ainda estava sem Zico, mas tinha outros craques. No início do jogo, um cruzamento de Júlio César e a pressão de Cláudio Adão na frente do gol obrigou o vascaíno Ivan a fazer o gol contra. Tita aproveitou do erro do goleiro vascaíno para fazer o gol de 2×0. De cabeça, Roberto Dinamite marcou e ainda no primeiro tempo, Vasco empatou. No segundo tempo, um gol com a cara do Flamengo de Cláudio Coutinho, passes altas no meio de campo, de um toque só, e um cruzamento de Toninho Baiano na direita. Tita, 21 anos e com a camisa 10 de Zico nas costas, fez seu segundo gol no jogo, um gol de cabeça, o gol do título. Flamengo campeão, Flamengo tricampeão 1978 – 1979 Especial – 1979. E com 36 gols, Zico se tornava o tetra artilheiro consecutivo carioca, entre 1977 e 1979. Já tinha sido uma vez antes, em 1975, e será uma última vez em 1982.

    O Brasileirão de 1979 foi uma bagunça total, com 94 times! Flamengo, ainda sem Zico, estreou na segunda fase com uma vitória 3×0 contra XV de Piracicaba. Para sua volta, Zico marcou um gol contra Gama, mas passou os 4 jogos seguintes sem fazer um gol. Mesmo assim, Flamengo fechou o primeiro turno na liderança e invicto, com 5 vitórias e 2 empates. Na terceira fase, ficou com apenas times paulistas, Palmeiras, Comercial e São Bento. Apenas o primeiro do grupo se classificava para as semifinais do Brasileirão. No primeiro jogo, contra São Bento, Zico chutou, goleiro defendeu e Cláudio Adão aproveitou do rebote para fazer o gol. Zico fez o segundo, de falta, com muita tranquilidade. O terceiro gol foi de Reinaldo, depois de uma tabelinha com Zico. O quarto e último gol, Zico, de cabeça. Impressionante o número de gols de cabeça em 1979 de Zico, que não era só monstro com os pés. Com mais uma atuação magistral de Deus, Flamengo vencia São Bento 4×0.

    Contra Comercial, uma vitória 2×0 e mais um show de Zico, com um gol e uma assistência. O último jogo valia vaga para a semifinal, Palmeiras também tinha ganho os dois primeiros confrontos. No Maracanã, um jogo eterno, e infelizmente para nós, uma goleada sofrida, apesar de mais um gol de Zico. Flamengo perdeu 4×1 e estava eliminado de um Brasileirão que tinha tudo para conquistar.

    Mesmo com esse infeliz último jogo do ano, Flamengo fez um ano incrível, com dois campeonatos cariocas conquistados e uma série de 52 jogos de invencibilidade. E talvez ainda mais incrível, a temporada de Zico, que fez com o Manto Sagrado 81 gols em 81 jogos, sendo machucado quase dois meses. A temporada de 1979 do Flamengo foi coisa fora de série e anunciava dias ainda melhores.

  • Na geral #12: A desilusão

    Na geral #12: A desilusão

    Na última crônica sobre o jogo contra Al Hilal em 2019, falei que final do Mundial é jogo para ganhar e semifinal é jogo para não perder. E Flamengo perdeu o jogo que não podia perder, se juntou ao Internacional 2010, Atlético Mineiro 2013 e Palmeiras 2020. Roteiros diferentes, mas mesmo final, sem final. E para Flamengo, a hora do Real Madrid nem vai chegar. Uma desilusão enorme, porque acho que o Real Madrid de 2023 era mais fácil de vencer do que o Liverpool de 2019, ainda mais com as ausências de Courtois e Benzema.

    Para começar, uma palavra sobre o juiz, porque normalmente não gosto de falar sobre as atuações dos juízes. Mas acho que o juiz errou ontem. O primeiro pênalti, com apenas dois minutos de jogo, é duvidoso, discutível, alguns juízes apitaram pênalti, outros não, mas acho que foi mais falha da defesa do Flamengo do que do juiz. Agora o segundo pênalti foi falha do juiz. Gosto do VAR, acho que com o VAR o futebol é menos injusto, mas tem um defeito. Com o VAR, com câmera lenta, imagens repetidas e rerepetidas, o empurrãozinho vira empurrão, o pisinho vira pisão. Quais eram as chances do Al Hilal de fazer o gol, ou até de chutar, no lance final do primeiro tempo? Zero. Ou se considera que o impossível é possível, 0,1%, não mais. E o juiz ainda expulsou Gerson, quase acabando com as chances do Flamengo. Gerson errou no primeiro cartão amarelo sim, qual é a necessidade de cravar um pênalti quando tem VAR? Não tem, mas o juiz falhou no segundo amarelo.

    O técnico Vítor Pereira também errou no intervalo, substituindo Arrascaeta por Erick Pulgar. Não estou convencido pela explicação que precisava mais do Éverton Ribeiro para fazer a ligação entre o meio de campo e o ataque. Obvio que o Al Hilal, com um gol a mais e um jogador a mais, ia ficar na retranca e o Flamengo precisava ao menos três jogadores no ataque, Pedro, Gabigol e Arrascaeta. E Vítor Pereira também errou com a escolha de Erick Pulgar. Arturo Vidal fez algumas besteiras esses últimos dias e entrou muito mal contra Palmeiras, também entrou mal ontem, mas acho que ainda era uma melhor opção do Erick Pulgar, que nem conheço o rosto dele de tão pouco ele jogou no Flamengo. E na última cronica, também falei que Jorge Jesus errou contra Liverpool ao tirar ambos Arrascaeta e Everton Ribeiro. E O VP fez o mesmo erro ontem.

    O time estava sem ritmo e foi erro da diretoria, com falta de planejamento. Não estou um grande fã de Dorival Júnior, mas ganhou títulos e a diretoria errou também ao buscar um outro técnico. Ainda mais para trazer Vítor Pereira, que já no Corinthians não me convencia. A diretoria também errou no mercado, prometendo 3 jogadores e uma referência mundial. Gerson, ainda sem ritmo, substituiu João Gomes e Rodinei nem foi substituído. E ontem Flamengo pagou caro o preço disso, com uma atuação ruim de Matheuzinho. Dos outros jogadores, só Pedro se salvou, com mais um grande jogo e um doblete.

    A torcida no estádio também fez mais um jogo fraco numa decisão no exterior. Se dá para ser ouvido no comecinho do jogo, dá para ser ouvido o jogo todo. A torcida não empurrou o time, que também não inflamou o jogo. O segundo tempo foi de desespero, de tortura, porque já com um gol atrás só, eu não acreditava no título. O terceiro gol de Al Hilal, com falha de Erick Pulhar, matou o jogo. E nem o segundo gol de Pedro deu uma esperança total. Flamengo estava muito longe de ganhar esse jogo, de ganhar esse Mundial. Estou triste, ainda mais para os amigos que estavam ou iam no Marrocos, Cidel, o presida da Fla Paris, Ramon, da Fla Miami e que me acolheu tão bem aqui no RJ e Piriquito, o irmão do futsal, das cervejas, do Flamengo. Um sonho que acabou muito cedo, sem a hora do Real Madrid chegar.

    Eu assisti ao jogo com a Roça Fla no Caipira Top Bar, na famosa Curva do S da Rocinha. Esperava uma final para assistir ao jogo na quadra da Roupa Suja, onde já tinha assistido a final da Libertadores, um dos meus melhores momentos vividos aqui no Rio. Mas não vai acontecer. A frustração é ainda mais forte que era a última chance de ganhar o Mundial de novo. O próximo Mundial será com 32 times, a metade vindo da Europa. É possível de passar a primeira fase, de fazer um ou dois milagres na fase final, mas ganhar o Mundial é tipo uma seleção africana ganhar a Copa do Mundo hoje. 0,1% de chance. A temporada do Flamengo de 2023 quase não começou e parece que já acabou. Mas ainda tem títulos na frente, o campeonato carioca para começar, que Vítor Pereira deve ganhar se quer ficar, e depois um tetra da Libertadores, um penta da Copa do Brasil, dois títulos ganhados em 2022, e um Brasileirão que não vem desde 2020. Vai ter que aguentar as piadas dos rivais que nem chegaram no Mundial, mas apesar da desilusão enorme, ainda tem muitos jogos na frente e sempre, sempre, tem o Flamengo no coração e na alma. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.

  • Jogos eternos #36: Flamengo 3×1 Al Hilal 2019

    Jogos eternos #36: Flamengo 3×1 Al Hilal 2019

    O jogo eterno para a lembrança do dia era evidente, com a semifinal do Mundial 2019, contra o mesmo adversário, Al Hilal, time da Arábia Saudita. Só espero que não vai dar o mesmo azar do que a lembrança da Supercopa do Brasil vencida contra Palmeiras em 2021, perdida em 2023. Mas não estou muito de superstição, e já tem milhares de supersticiosos que têm justificações para uma possível derrota ou vitória. Então vamos desse jogo de 2019.

    2019 foi um ano de ouro. Ainda não cansei de dizer que foi meu melhor ano vivido como torcedor do maior do Mundo. Já nesse blog teve jogos eternos de 2019, contra Madureira, Santos, Ceará, Avaí, Corinthians e claro, River Plate, o Milagre de Lima. Esse jogo contra Al Hilal era no melhor dos casos o penúltimo do ano, no pior, o último. Acho que no Brasil a semifinal do Mundial é ainda mais importante do que a final. A final é um jogo que pode ganhar, a semifinal é um jogo que não pode perder, a não querer aguentar piadas dos rivais. Os torcedores do Internacional, Atlético Mineiro ou Palmeiras ainda lembram.

    E no caso do Flamengo é pior. Basta relembrar que os rivais, e os não tão rivais, mas mesmo assim antis, zoaram Flamengo por causa da derrota contra Liverpool. Uma partida onde Flamengo jogou, sim, de igual a igual contra um Liverpool invencível em 2019 durante 70 minutos. Não vale vitória, mas tinha motivos de orgulho, Bruno Henrique teve uma atuação magistral e achou que quem errou mais foi Jorge Jesus, com as substituições de Éverton Ribeiro e Arrascaeta, e a entrada de Lincoln em vez de Reinier. Mas a história é assim e nada pode mudar, só pode ter uma outra chance.

    Então o jogo da semifinal contra Al Hilal era muito importante e Jorge Jesus escalou no estádio de Doha o time ideal, o time quase perfeito: Diego Alves; Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí, Filipe Luís; Willian Arão, Gerson, Arrascaeta; Éverton Ribeiro, Bruno Henrique, Gabigol. No time de Al Hilal, algumas estrelas com Giovinco e o francês Gomis, e um ex que não podia fazer valer a lei do ex, Gustavo Cuéllar. Adorava Cuéllar no Flamengo, mas acho que saiu mal do Flamengo.

    Relembro que assisti a semifinal do Mundial de 2019 com a Fla Paris no Bellushi’s, onde também tinha assistido ao jogo contra River Plate. Por causa das férias do final do ano, tinha bem menos pessoas no local, mas mesmo assim, foi lindo. O que não foi lindo foi o início do jogo do Flamengo, que começou mal o jogo e tomou um gol no 18 minuto, um gol aliás similar ao gol tomado contra River Plate, de Borré, também no início do jogo. Flamengo estava perdendo o jogo que não podia perder.

    O gol tomado provocou a reação do Flamengo, que teve algumas oportunidades de fazer o gol, sem conseguir fazer. Al Hilal vencia 1×0 no intervalo, mas já no início do segundo tempo, Flamengo empatou, com o trio mágico de 2019, já em ação para o gol de empate contra River Plate. Dessa vez, a ordem foi diferente, Gabigol para Bruno Henrique, para Arrascaeta sozinho, para o gol do empate, para a alegria dos flamenguistas, em todos os lugares do mundo.

    Mas Al Hilal é um bom time e o empate persistia até os quinze minutos finais, até um cruzamento perfeito de Rafinha e uma finalização letal de cabeça de Bruno Henrique, o melhor jogador do Flamengo nesse Mundial. Flamengo estava na frente no placar, e estava quase na final quatro minutos depois, quando Bruno Henrique, de novo ele, forçou o zagueiro Ali Al Bulayhi a fazer o gol contra, que fazia para sua infelicidade o gol 150 na temporada 2019 do Flamengo. De novo Flamengo estava na decisão do Mundial, 38 anos depois, de novo contra Liverpool, infelizmente não com um final tão feliz. A história é assim e não pode ser mudada, mas pode ter uma outra chance.

  • Ídolos #9: Nunes

    Ídolos #9: Nunes

    A camisa 9 é muito especial no futebol. Acima, só a camisa 10, ainda mais no Flamengo. É a camisa do centroavante, do artilheiro, do goleador. E Flamengo teve muitos na sua história. Para o ídolo de hoje, vamos de um artilheiro das decisões, e jogou muitas decisões, ganhou muitos títulos, fez muitos gols. Nunes, o João Danado, camisa 9 da maior geração do Flamengo.

    João Batista Nunes de Oliveira nasceu no Nordeste, em Sergipe, em Cedro de São João. Chegou com 14 anos no Rio de Janeiro e chegou bem, já no infantil do Flamengo. Mas não funcionou e Nunes voltou em Sergipe, na Confiança. Nome de predestinado, faltava confiança no Flamengo, foi achar de novo a confiança no Nordeste. Ficou depois no Nordeste, num clube maior, Santa Cruz. Foi tricampeão pernambucano e estreou na Seleção brasileira num jogo não-oficial contra uma seleção fluminense em Niterói. Fez um gol, Brasil ganhou 7×0, Zico fez cinco. Estreou oficialmente no 1o de abril de 1978 contra minha França, no meu Parque dos Príncipes. Era nome quase certo para a Copa do Mundo de 1978 mas infelizmente se machucou um pouco antes da Copa.

    E Nunes voltou ao Rio, infelizmente para nós flamenguistas, no Fluminense. Jogou muito bem no Fluminense, mas viu o Flamengo ganhar o tricampeonato carioca entre 1978 e 1979. E Nunes voltou no time da infância, no maior do Rio, no maior do Mundo, nosso Flamengo. Craque, o Flamengo faz em casa e o bom filho a casa torna. Nunes era do Mengão.

    Nunes estreou no último jogo da primeira fase do Brasileirão de 1980, contra a Ponte Preta. E voltou com estilo, com um gol e uma assistência para Zico depois de passar vários adversários, no 2×2 contra a Ponte Preta. Fez um outro na goleada 6×2 contra Palmeiras e também marcou um contra Bangu. E Nunes não era só goleador. No 3×0 contra a Desportiva Ferroviária, ele fez as três assistências do jogo. Zico fez os três gols. Uma dupla de ouro.

    No jogo de volta da semifinal, Coritiba abriu 2×0, igualando o placar agregado. Em 4 minutos, Nunes fez dois e empatou o jogo de volta. Flamengo ganhou 4×3 e se classificou para sua primeira final do Brasileirão. Era a hora de Nunes brilhar ainda mais. Flamengo perdeu 1×0 o jogo de ida, mas na volta no Maracanã, foi diferente. Zico lançou em profundidade Nunes, que abriu o placar. Reinaldo empatou, Nosso Rei Arthur marcou, Reinaldo empatou de novo. No fim do jogo, Nunes fez um dos gols mais emblemáticos do Flamengo. Uma finta sensacional sobre Silvestre, uma finalização perfeita, uma comemoração eterna. “Senti o estádio dentro da minha camisa, como se cada pessoa fosse um Nunes e eu fosse cada um daqueles torcedores”, falou depois Nunes para Manchete.

    O Flamengo era campeão brasileiro pela primeira vez e Nunes se tornava um ídolo da Nação. “Acho que também mereço ter o meu dia de ídolo, pois isso com Zico já é rotina”, explicou Nunes depois desse jogo. Sim Nunes, para esse dia e para sempre, você é ídolo do Flamengo. No Jornal dos Sports, Nunes desabafou: “Eles disseram até que sou maconheiro. A reposta foi no campo e não na violência. Fizemos três gols e essa é a minha reposta. Estou muito feliz com a notícia que recebi agora da diretoria, de que serei comprado em definitivo. Isso é a prova do futebol que venho jogando e uma reposta aos que não me queriam. Futebol se ganha dentro de campo, com humildade, acima de tudo coragem, sangue, raça e muita vibração. Foi o que procurei fazer o jogo todo”. Repito Nunes, você é ídolo da Nação para sempre.

    Em 1981, Nunes continuou a brilhar. Na goleada 8×0 contra Fortaleza, fez apenas 5 gols no jogo. Dois de cabeça para começar, um de pênalti, e por fim, dois de perna esquerda, a “perna ruim” que ele não tinha. Um artilheiro completo. Flamengo foi eliminado nas quartas de final do Brasileirão contra Botafogo, sem Nunes, expulso no jogo de ida. Talvez o jogo teria sido diferente com Nunes, que foi o artilheiro do Brasileirão nesse ano com 16 gols. Nunes voltou a brilhar no campeonato carioca. Contra Americano, fez 3 gols na goleada 7×0, e também jogou muito no Jogo da Vingança contra Botafogo, abrindo o placar no eterno 6×0. Na final da Libertadores, não marcou nos três jogos contra Cobreloa. Na final do Carioca, foi expulso no primeiro jogo. Flamengo perdeu os dois primeiros jogos da final contra Vasco e podia perder um campeonato considerado como quase já ganhado. No último jogo da final, Nunes fez o gol do 2×0, outro gol emblemático, outra comemoração eterna com uma cambalhota para a alegria da maioria dos 161.989 pagantes no Maracanã. Nunes se transformava como o goleador das finais.

    E no fim do ano, o maior jogo da história do Flamengo, o 3×0 contra Liverpool. Ou mais exato ainda, o maior primeiro tempo da história do Flamengo. Porque Flamengo liquidou o jogo ainda no primeiro tempo. Em dezembro de 1981, no 3×0 contra Liverpool, Nunes ficou marcado na história. Com 13 minutos de jogo, um passe genial de Zico para Nunes, para um gol emblemático do Flamengo, uma finalização perfeita, uma comemoração eterna. Flamengo 1×0 Liverpool, depois falta de Zico e gol de Adílio, Flamengo 2×0 Liverpool. E ainda no fim do primeiro tempo, posicionamento perfeito de Nunes, novo lançamento genial de Zico e chute de Nunes sem chance para o goleiro inglês, que na verdade nasceu na África do Sul e jogou na seleção do Zimbábue. Enfim, o gol só foi possível por causa do entendimento perfeito entre Zico e Nunes. E no Rio não tem outro igual, só o Flamengo é campeão mundial e Nunes, meu povo, era batizado como o Artilheiro das Decisões pelo narrador do jogo, o eterno Galvão Bueno. E para a eternidade também, Nunes era o Artilheiro das Decisões.

    Como artilheiro do jogo, Nunes ganhou uma Toyota Carina. Nunes ficou com o carro, mas dividiu o valor com os companheiros campeões mundiais. Foi o fim de um ano de ouro para Nunes, que foi artilheiro do clube com 48 gols. Em 1982, jogou menos, fez menos gols, mas não perdeu a condição de Artilheiro das Decisões. Fez apenas 5 gols no Brasileirão, mas fez o mais importante de todos, no último jogo da final contra Grêmio, no Olímpico. De novo, quem fez a assistência foi o Rei Zico. A cumplicidade entre os dois era mortal para os adversários, imortal para os rubro-negros. Zico falou: “Quando eu pego na bola, a primeira coisa que faço é olhar o centroavante, que é quem está mais perto do gol. O Nunes fica sempre esperando. Na hora do gol, recebi na lateral, dei uma caneta no Vilson Taddei, ele ficou sem pai nem mãe, procurei então alguém e meti a bola entre os dois zagueiros. O Nunes entrou por ali e bateu firme”. Outro gol emblemático, outra finalização perfeita e outra comemoração eterna, agora para a filha Lívia, de três meses de idade. “Se é final, sempre apareço para conferir. Nunca me senti tão predestinado como nesta decisão”, falou depois Nunes. Sim, Nunes era predestinado.

    No dia seguinte, Telê anunciou a lista dos pré-convocados para a Copa de 1982, com Nunes. Infelizmente, como em 1978, Nunes se machucou antes do torneio e foi cortado. Meu ataque de sonhos para 1982 era Reinaldo e Roberto Dinamite. Mas talvez com Nunes na frente do ataque, o tetra na Espanha teria sido realidade. Nunes não jogou mais com a Seleção, onde fez 8 gols em 13 jogos entre 1978 e 1980. Ótimos números.

    Nunes foi emprestado ao Botafogo em 1983 e voltou ao Flamengo em 1984 onde de novo fez gols, o último justamente contra o antigo clube do Botafogo, com assistência de Bebeto. Foi a transição para uma outra geração de ouro, que ia ser tetracampeão brasileiro em 1987. Nunes ainda jogou no Náutico, no Santos, no Atlético Mineiro e até no Portugal, no Boavista. Mas o bom filho a casa torna e Nunes voltou ao Flamengo, justamente para a Copa União 1987. Não fez gol em 8 jogos, mas ainda assim, é tricampeão brasileiro pelo nosso Mengo. Com o Manto Sagrado, jogou 214 partidas e fez 99 gols, muitos muito importantes. Em fim de carreira, ainda jogou no Flamengo EC, em Varginha no Minas Gerais. O Artilheiro das Decisões era muito Flamengo.

    Para fechar, duas lembranças mais pessoais. Com a Fla Paris, tinha oportunidade de comprar camisas autografadas de jogadores do Flamengo: Júnior, Raul Plassmann e Nunes. Comprei apenas a do Nunes, a branca do Mundial de 1981, com o nome Nunes e a camisa 9, a camisa da eternidade e da glória eterna. Outra lembrança foi na sede da Gávea, quando fui entrevistado pela Júlia Corson, que depois me ligou para me dizer que Nunes estava aqui e que podia o encontrar. Falei um pouco com o Artilheiro das Decisões e tiramos fotos. Estava perto de um ídolo eterno da Nação.

  • Jogos eternos #35: Flamengo 2×0 Boavista 2008

    Jogos eternos #35: Flamengo 2×0 Boavista 2008

    Para hoje um texto pequeno porque ainda estou de ressaca da derrota contra Palmeiras na Supercopa do Brasil. Flamengo já ganhou um título em cima de Boavista, a Taça Guanabara 2011, mas guardo esse jogo para um outro Flamengo x Boavista. Hoje vai ser um texto rápido, de dois lances só, dois gols, um jogo de 2008.

    O jogo foi a estreia do ano 2008, um time já histórico nesse blog. Apesar de frustrações, tenho muita saudade desse time, com muitos ídolos, meus primeiros no Flamengo. No 20 de janeiro de 2008, dia de São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro, Joel Santana escalou Flamengo assim: Diego; Léo Moura, Ronaldo Angelim, Fábio Luciano, Juan; Jaílton, Cristian (Obina), Ibson, Toró, Renato Augusto (Marcinho); Souza. Ao menos 6 ídolos nesse time e outros jogadores para quem tenho muito carinho até hoje.

    No Maracanã, ainda antigo, ainda fervente, jogo ficou sem gol no primeiro tempo. No segundo tempo, Papai Joel mexeu e fez entrar Marcinho e Obina. Com 20 minutos, Marcinho acelerou no meio de campo e abriu para Obina, que esperou um pouco, e achou de volta Marcinho. Com dois toques, o segundo de trivela, Marcinho deixou Souza livre, que de primeira, abriu o placar. Era o primeiro jogo de Marcinho com o Manto Sagrado e adorei a temporada dele no Flamengo. Um jogador rápido e driblador, ideal para fazer a diferença nos fins dos jogos. Obina é um dos ídolos mais carismáticos do Flamengo e já escrevi sobre ele aqui. Souza era irregular mas um ótimo goleador e fez grande dupla com Obina. Adorava o Flamengo de 2008, ainda mais no Maracanã, sempre pronto a explodir.

    No final do jogo, numa falta do ídolo Juan, Toró brigou para a bola, e o capitão Fábio Luciano aproveitou para fazer o gol. Fabio Luciano também era um ídolo muito carismático e também fez uma grande dupla, agora na zaga, com outro ídolo, Ronaldo Angelim. No fim, Flamengo 2×0 Boavista e um feriado lindo no Maracanã.

    Os jogos passam, os títulos passam, as vitórias passam, as derrotas passam, os jogadores passam, mesmo os ídolos, mesmo o Maracanã passa. O que fica é a torcida, o Manto Sagrado, o Flamengo. Te amo Flamengo, para sempre. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.

  • Jogos eternos #34: Flamengo 2×2 Palmeiras 2021

    Jogos eternos #34: Flamengo 2×2 Palmeiras 2021

    Antes do jogo de hoje, a lembrança do dia era evidente: a Supercopa do Brasil 2021, em Brasília, contra Palmeiras. Foi um jogaço entre dois supertimes. De um lado, nosso Flamengo, campeão brasileiro. Do outro lado, Palmeiras, campeão da Copa do Brasil. Um jogaço no papel, que também foi no campo.

    Considero que a rivalidade entre Flamengo e Palmeiras é a maior do Brasil desde 2016. Os dois times brigam pelo todos os títulos, no Brasil e no continente. Os dois times quase sempre no G-4, com título em 2016, 2018 e 2022 para Palmeiras, em 2019 e 2020 para Flamengo. Os dois times com os 4 últimos títulos da Copa Libertadores, dois para cada um. Números impressionantes.

    Gosto muito da Supercopa do Brasil, uma competição que foi criada em 1990 por apenas duas edições e que voltou em 2020, com as mãos do Flamengo já na taça. Em 2021, era hora de mais um clássico entre Flamengo e Palmeiras. Era infelizmente também tempo da Covid e do lockdown. O estádio Mané Garrincha era de portões fechados. Na França, o terceiro lockdown começou uma semana antes da Supercopa do Brasil e assisti ao jogo sozinho em casa. Também gosto de assistir aos jogos sozinho, mas o momento era difícil, com saudade da família, dos amigos e do consulado da Fla Paris.

    No 11 de abril de 2021, Rogério Ceni escalou Flamengo assim: Diego Alves; Isla (Matheuzinho), Willian Arão, Rodrigo Caio, Filipe Luís; Gérson (Pepê), Diego (João Gomes), Arrascaeta; Everton Ribeiro (Vitinho), Bruno Henrique (Michael), Gabigol. Um time muito ofensivo, com muita qualidade também. O Palmeiras era outro timaço, com grandes jogadores em cada linha: Wewerton, Gustavo Gómez, Felipe Melo, Raphael Veiga, Rony. Também tinha muita qualidade no banco, entraram durante o jogo Mayke, Gabriel Menino, Danilo, Gabriel Veron e Gustavo Scarpa. Um jogaço com dois timaços, um jogo eterno.

    E jogo começou muito mal para o Flamengo, muito rapidamente. Com apenas um minuto de jogo, Raphael Veiga fez de calcanhar um drible de vaca que deixou Willian Arão sem reação e finalizou, de trivela. E Flamengo empatou, também com um grande drible, agora de Filipe Luís sobre Gustavo Gómez. Filipe Luis finalizou na trave, mas Gabigol, de dreadlocks loiras, empatou. Não importa o corte de cabelo, o homem gosta de marcar nos dias de finais, nos dias de títulos, nos dias de jogos eternos.

    No minuto seguinte, Palmeiras quase desempatou. Breno Lopes driblou Diego Alves e chutou, mas Diego Ribas salvou em cima da linha, um dos lances mais memoráveis de Diego com o Manto Sagrado. De falta, Raphael Veiga teve a oportunidade do doblete, mas Diego Alves foi vigilante. E quem desempatou foi Flamengo, no tempo adicional do primeiro tempo. Desempatou com um golaço. Bruno Henrique para Arrascaeta, que driblou no centro e chutou de fora da área. Wewerton apenas olhou. No intervalo, Flamengo 2×1 Palmeiras, já um jogaço.

    Segundo tempo foi também muito animado, Gabigol também teve a oportunidade do doblete, e até fez o gol, mas o gol foi muito mal anulado, com um impedimento inexistente. O VAR não foi acionado, e estou tentando entender até hoje. Quem aproveitou foi Palmeiras, dois minutos depois, Rony entrou na área e o juiz marcou um pênalti duvidoso. Agora sim, Raphael Veiga fez o doblete. Ainda não era o momento de Diego Alves brilhar nos pênaltis. No fim do jogo, Wewerton fez duas grandes defesas contra Bruno Henrique e Gabigol. No apito final, empate, decisão de penalidades.

    No começo da disputa de penalidades, os craques Raphael Veiga e Arrascaeta fizeram. O capitão palmeirense Gustavo Gómez também fez. Filipe Luís, depois de achar a trave durante o jogo, achou o travessão durante a disputa. Gustavo Scarpa, outro canhoto, fez, ainda não era o momento de Diego Alves brilhar. Matheuzinho errou, com defesaça de Wewerton. Flamengo 1×3 Palmeiras. Relembro que considerei o jogo como perdido e que me consolei sozinho, me dizendo que a Supercopa não era um título importante. Já estava sem esperança mas agora sim, era o momento de Diego Alves brilhar.

    Diego Alves era um dos melhores goleiros do mundo quando se tratava de pênaltis, talvez o melhor. Muito ativo na linha, já tinha defendido pênalti de Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, Griezmann e Diego Costa. Os melhores da Espanha, do mundo. Coisa impressionante. No calor de Brasília, com flamenguistas desesperados na televisão, Diego Alves defendeu a cobrança de Luan. A esperança ainda existia, ainda mais depois do gol de Vitinho. Ainda faltava um milagre, que Diego Alves fez, contra outro canhoto, Danilo, com defesa maravilhosa. Gabigol, quinto cobrador, não podia errar se não queria oferecer o título ao Palmeiras. Não errou, fez com tranquilidade. Flamengo 3×3 Palmeiras. Que amo o futebol, que amo o Flamengo.

    Com ainda mais estresse, Viña, outro canhoto, fez. O garoto João Gomes, 20 anos, chutou, Weverton desviou, o coração parou, mas João Gomes empatou. Outro garoto, até no nome, Gabriel Menino, chutou, Diego Alves fez outro milagre. O garoto Pepê tinha o título no pé direito, mas bateu fraco, e Wewerton defendeu. Muita emoção em Brasília, Flamengo 4×4 Palmeiras. Mais um garoto, mais um Gabriel, agora Gabriel Veron, fez. Michael, com força, empatou. Agora era a vez de Mayke, e Diego Alves defendeu mais uma vez, a quarta cobrança defendida. Defender dois já é muito, três é coisa de milagre, mas defender quatro pênaltis na mesma disputa, só Diego Alves, só nosso goleiraço.

    Rodrigo Caio foi o nono jogador do Flamengo a chutar, só faltava Isla e Diego Alves depois. Wewerton ficou no meio, Rodrigo Caio fez o gol, ofereceu o título ao Flamengo, mas o herói era de luvas e de camisa amarela, Diego Alves. Com essa disputa de penalidades eterna, Diego Alves chegou ao 40o pênalti defendido na carreira. Com Flamengo, 11 defesas nos 39 pênaltis cobrados, um aproveitamento de 28%, uma coisa realmente impressionante.

    Obrigado Diego Alves para sua passagem no Flamengo, onde honrou muito o Manto Sagrado de Raul Plassman e outros, onde nos ofereceu um título, depois de um jogo eterno contra Palmeiras.

  • Jogos eternos #33: Bangu 0x2 Flamengo 1999

    Jogos eternos #33: Bangu 0x2 Flamengo 1999

    O Bangu foi um grande clube do futebol brasileiro, jogando várias vezes no Brasileirão. E o campeonato carioca foi um grande campeonato, numa época um dos melhores do mundo. Tenho carinho para o Bangu e para o campeonato carioca, porque agora o nível é bem diferente, mas ainda é Rio, ainda é o mais charmoso do mundo.

    E em 1999 era ainda mais o caso, com um jogo que é a essência do futebol carioca. Estadio clássico, o da Moça Bonita, lá em Bangu. Bangu já foi grande, até gigante foi, quase campeão brasileiro, bicampeão carioca. Essa crônica é a número 33 dos jogos eternos, e Bangu foi campeão carioca em 1933 e 1966. Diretoria acreditava num título a cada 33 anos e par o ano de 1999, trouxe de volta aos gramados um jogador muito carioca na alma, Renato Gaúcho. Fora de forma, Renato Gaúcho saiu da aposentadoria e fez finalmente apenas dois jogos com Bangu, contra Vasco e esse contra Flamengo, o último da sua carreira. Sem brilho, e sem título para Bangu.

    Flamengo também tinha seu craque, carioca na alma, carioca no nascimento, Romário. O Baixinho vivia seu último ano com o Flamengo, talvez o melhor, apesar do fim frustrante. Era sua estreia no campeonato carioca 1999, onde era o artilheiro das 3 últimas edições do torneio. Na temporada, o gênio da grande área já tinha feito jogadas de gênio, o Amaral ainda se lembra desse elástico mortal e imortal no jogo contra o Corinthians no Pacaembu.

    Na Moça Bonita, como o estádio respirava o futebol carioca, foi o lançamento da nova camisa do Flamengo, um Manto Sagrado muito lindo, que tenho na minha coleção, com a camisa 11 de Romário. Lindo, muito lindo. O saudoso Carlinhos escalou Flamengo assim: Clemer; Fábio Baiano, Luís Alberto, Fabão, Athirson (Marco Antônio); Vagner, Jorginho, Iranildo (Caio), Beto (Rodrigo Mendes); Leandro Machado, Romário. No lado de Bangu, além do Renato Gaúcho, destaque para o próprio técnico, Alfredo Sampaio, que foi o primeiro técnico de Ronaldo no São Cristóvão.

    No primeiro lance, Romário teve oportunidade de chutar, mas, acontecia, preferiu fazer o passe para Leandro, que errou no domínio. A torcida flamenguista apoiava, empurrava as barreiras e o time, tinha flamenguistas até nas árvores do estádio. Lindo, muito lindo. No segundo tempo, visão perfeita e passe sensacional de Romário, que abriu para Fábio Baiano, que chegou na bola só um pouco antes do goleiro do Bangu. Pênalti. Romário, claro, fez o gol sem tremer, e já deixava o dele na sua estreia no campeonato carioca. Romário poderia ter feito dois golaços nesse jogo, primeiramente uma falta no travessão, e depois um chute de cobertura após passar entre vários defensores do Bangu, mas o goleiro foi vigilante.

    Nesse jogo, Romário brilhou mais com os passes, e cruzou perfeitamente para Caio que marcou “um pouco do abdômen, um pouco da lateral do corpo e um pouco de braço, mas do antebraço, não da mão”. Tanto faz, numa tarde de sol em Bangu, o Flamengo ganhava mais um jogo do futebol carioca, aquele futebol lindo, muito lindo.

  • Jogos eternos #32: Flamengo 2×0 Nova Iguaçu 2012

    Jogos eternos #32: Flamengo 2×0 Nova Iguaçu 2012

    Antes do jogo de hoje, uma lembrança de um jogo contra Nova Iguaçu, em 2012, que marcou a reestreia de Vágner Love no Flamengo. Foi quase 10 anos atrás e o Flamengo mudou muito, mas o que não muda é a força da torcida, a capacidade de fazer a festa, de fazer ídolos.

    Descobri Vágner Love em 2004, quando jogou a Liga dos campeões pelo CSKA Moscou, com dois jogos e um gol contra o Paris SG. Nesse ano, ganhou a Copa UEFA, fazendo gol contra outro time francês, Auxerre, nas quartas de final, e contra o Sporting na final. Também foi chamado na Seleção brasileira, mas nunca se firmou como titular, até porque, apesar de ser um ótimo atacante, não tinha o nível suficiente para isso.

    Depois de muitos anos na Rússia, Vágner Love voltou ao Brasil, no clube de seus inícios profissionais, Palmeiras. No ano seguinte, em 2010, foi no Flamengo onde formou o Império do Amor com nosso Didico. Foi artilheiro do campeonato carioca com 15 gols, até hoje a maior marca desde Fábio em 2002, que fez 16 gols pelo Volta Redonda. Mas Vágner Love ganhou nenhum título com o Flamengo em 2010.

    A tentativa de compra definitiva fracassou com os russos e Vágner Love voltou no CSKA em 2011. E em 2012, foi emprestado de novo ao Flamengo. Foi um grande reforço, foi muito bem em 2010 com 23 gols em 29 jogos, para uma torcida que tinha grandes esperanças para o ano 2012, o ano do centenário do futebol do clube. O centenário do Clube de Regatas do Flamengo, em 1995, foi uma frustração, uma vergonha, 2012 não podia ser assim. Podia, sim.

    No 12 de fevereiro, dois dias antes do dia dos Namorados na França e em vários países do mundo, Vágner Love reestreava com o Flamengo. O rubro-negro ainda era invicto no campeonato carioca e tinha se classificado na fase de grupos da Copa Libertadores depois de passar sufoco contra o Real Potosi na pré-Libertadores. Para o jogo contra Nova Iguaçu, no estádio de Macaé tudo rubro-negro, Joel Santana escalou Flamengo assim: Felipe; Léo Moura, Welinton, David Braz, Júnior César; Luiz Antônio, Willians, Renato Abreu; Ronaldinho, Vágner Love, Deivid. Um time mediano, com jogadores de qualidade, que poderia ter feito mais do que fez em 2012.

    Vágner Love vestia de novo o Manto Sagrado num dia de festa para a torcida. Porque a torcida do Flamengo é assim, sabe fazer ídolos, sabe festejar, até nos dias mais difíceis. E Vágner Love nem esperou quinze minutos para brilhar. Ganhou de um adversário na força física, ganhou de outro com técnica e drible curto, e achou Ronaldinho. Ronaldinho fez pouco, muito pouco pelo Flamengo em 2012, e seria bem melhor com o Atlético Mineiro no resto da temporada, mas ele nunca deixou de ser craque, de ser capaz de visão alucinante e toque de gênio. Com um toque absolutamente maravilhoso, o Bruxo achou de novo Vágner Love na grande área, pronto a fazer o gol. O goleiro desviou e Deivid, sozinho na frente do gol, conseguiu essa vez fazer o gol. Flamengo na frente, festa no Moacyrzão.

    Depois, teve caneta de Vágner Love, cabeçada de Deivid num escanteio de Ronaldinho e não muito mais emoções no primeiro tempo. No segundo tempo, Renato Abreu conseguiu obter uma boa falta, com 30 metros de distância, bem no centro. Ronaldinho com categoria, ou Renato Abreu com força. Foi Renato Abreu, com muita força, muita precisão, muita categoria. Um golaço de um jogador, que também não fez muito em 2012, mas que eu adorava, desde meus primeiros dias de torcedor assíduo do Flamengo nos meados dos anos 2000. O Renato Abreu merece um capítulo na categoria dos ídolos e nesse quase dia dos Namorados, fez mais um golaço de falta. Flamengo com dois gols de vantagem, para a festa e o amor da torcida.

    Depois, de novo, não teve muitas emoções. Mas Flamengo ganhava mais um jogo, Vágner Love reestreou bem, apesar de não fazer um gol. Nos 5 próximos jogos, ia fazer 5 gols, deixando o dele a cada jogo. Vágner Love não ia voltar com a artilharia do campeonato carioca, apesar de ótimas estatísticas, 9 gols em 10 jogos. No Brasileirão, ia ser menos convincente, com 13 gols em 36 jogos. Fez o gol que rebaixou seu antigo clube, Palmeiras, mas mesmo assim, igual ao ano de 1995, a temporada de 2012 do Flamengo foi de muitas frustrações e para o Vágner Love, igual ao ano de 2010, sem nenhum título.

  • Jogos eternos #31: Madureira 0x2 Flamengo 2019

    Jogos eternos #31: Madureira 0x2 Flamengo 2019

    Antes do jogo de hoje, uma lembrança do melhor ano que vi como torcedor do Flamengo, o de 2019, com um jogo eterno de nosso agora camisa 10, Gabigol. Sempre gostei de acompanhar o futebol brasileiro para saber antes dos outros europeus as grandes promessas brasileiras. Primeiro, Pato, já em 2006, começo a ser antigo. Depois, Neymar, claro. Hoje, Endrick. No Flamengo, Renato Augusto, Adryan, Vinícius Junior. Alguns com muito sucesso, outro não tanto.

    E sempre gostei muito do Gabigol, já chamado de Novo Neymar na base do Santos, já extremamente promissor. Relembrei de assistir ao primeiro jogo dele como profissional, também o último do Neymar com Santos, um 0x0 contra nosso Flamengo na abertura do Brasileirão 2013, lá em Brasília. Quase dez anos atrás…

    Depois, acompanhei Gabigol no Santos, sendo artilheiro da Copa do Brasil em 2014 e 2015. Torci pelo seu sucesso na Europa, na Inter e depois no Benfica. Sucesso que não veio. Que bom. Gabigol voltou no Brasil, no seu antigo clube de Santos, e depois vestiu o Manto Sagrado. Estava muito feliz com essa contratação, sempre foi um dos jogadores que eu gostava mais no futebol de hoje. Justamente para relembrar um pouco um futebol antigo, com alegria e ginga, provocações e carisma.

    Junto ao Gabigol, veio do Santos também Bruno Henrique. Gostava menos dele, achava ele muito irregular. E era, no Brasileirão 2018, fez apenas um gol em 28 jogos com Santos. Mas no seu primeiro jogo com o Manto Sagrado, fez os dois gols da vitória contra Botafogo. Já para o Gabigol, o início foi mais difícil, o atacante de 22 anos na época passou em branco nos seus 5 primeiros jogos.

    Mas quando Gabigol começou a brocar, não parou mais. Fez um contra Americano, dois contra a Portuguesa. Na Libertadores 2019, estreou fazendo o único gol do jogo contra San José. Também deixou o dele contra a LDU Quito. No 19 de março de 2019, para o jogo contra Madureira, Flamengo foi escalado assim pelo técnico Abel Braga: Diego Alves; Pará (Juan), Rodrigo Caio, Léo Duarte, Renê; Willian Arão (Hugo Moura), Ronaldo, Diego; Éverton Ribeiro, Bruno Henrique (Uribe), Gabigol.

    No Maracanã, o perigo veio no início dos pés de Bruno Henrique, mas um defensor do Madureira salvou em cima da linha, depois foi o goleiro que impediu o gol de BH27. Um outro defensor salvou em cima da linha uma cabeçada de Willian Arão, depois foi o goleiro que impediu o gol de Éverton Ribeiro. Flamengo dominava muito, sem conseguir fazer o gol. No duelo cara a cara, Gabigol perdeu para o goleiro no fim do primeiro tempo. Mas no último minuto do primeiro tempo, Diego chutou de longe, goleiro defendeu, Willian Arão cabeceou, goleiro desviou na trave, Gabigol, de pé esquerdo e de cabelo loiro, abriu o placar. No intervalo, Madureira 0x1 Flamengo.

    De novo, no segundo tempo, foi Bruno Henrique o maior perigo no início, sem conseguir fazer a assistência ou o gol. Com 33 minutos no segundo tempo, Gabigol recebeu de Renê, chutou forte, zagueiro desviou, goleiro se inclinou, doblete de Gabigol. Para o quinto jogo consecutivo, Gabigol fazia um gol com o Flamengo, uma série que ia continuar no jogo seguinte numa vitória 3×2 no Fla-Flu. Ainda não dava para imaginar quanto bonito será esse ano de 2019, mas depois de muitas frustrações, já dava para cheirar os títulos se aproximando, porque agora o Flamengo tinha um jogador muito diferenciado, artilheiro como um camisa 9, carismático como um camisa 10, Gabigol.

O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”