Francêsguista

Francês desde o nascimento, carioca desde setembro de 2022. Brasileiro no coração, flamenguista na alma. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.

  • Jogos eternos #14: Flamengo 1×0 Santos 2019

    Jogos eternos #14: Flamengo 1×0 Santos 2019

    Para essa semana de final de Libertadores, vamos com o ano dourado de 2019, com um jogo eterno contra Santos. Relembro que estava muito ansioso com esse jogo. Em jogo, o título do primeiro turno. Flamengo era líder com 39 pontos, Santos só um pouco atrás com 37 pontos. Era a 19a rodada do Brasileirão, quem ganhava o jogo, ganhava o primeiro turno.

    Santos era muito bem esse ano, com um grande técnico, Jorge Sampaoli. Tinha grandes jogadores também, como Everson, Luan Peres, Lucas Veríssimo, Carlos Sánchez, Soteldo, Eduardo Sasha. Tinha também ex ou futuros flamenguistas, como Gustavo Henrique, Jorge, Marinho e Uribe. Mas Flamengo era melhor. Tinha seu técnico estrangeiro também, chamado Jorge também, o Mister. No 14 de setembro de 2019, Jorge Jesus escalou Flamengo assim: Diego Alves; Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí, Filipe Luís; Willian Arão, Gerson, Everton Ribeiro, Arrascaeta; Bruno Henrique, Gabigol. Um time histórico.

    No Maracanã, um jogo eterno, com 68.243 espectadores, inclusive o técnico da Seleção, Tite. Um clima de decisão no Maraca, Flamengo começou melhor, sem fazer o gol. Santos reagiu, sem fazer o gol. Até o fim do primeiro tempo, quando brilhou a estrela do Gabigol. Um chute colocado, de cobertura, sem chance para Everson. O artilheiro do campeonato fazia valer a lei do ex, fazia um golaço, um de seus gols mais bonitos de sua carreira com o Manto Sagrado. Quando precisava, o craque apareceu para fazer a diferença. Uma comemoração icônica, Maracanã em delírio, Flamengo na frente no placar.

    No segundo tempo, de novo, muita emoção, jogadas lindas, chutes, dribles – um sensacional de Bruno Henrique, faltas, mas nada de gol. Gabigol fazia o único gol do jogo, decidia o jogo, oferecia ao Flamengo o primeiro turno. Relembro que foi depois desse jogo que eu tinha a certeza quase absoluta que Flamengo ia vencer o Brasileirão 2019. Mas claro, não podia imaginar que esse ano ia ser tão histórico.

  • Jogos eternos #13: América Mineiro 2×3 Flamengo 2011

    Jogos eternos #13: América Mineiro 2×3 Flamengo 2011

    De volta com jogos eternos contra o adversário do dia, hoje o América Mineiro. O jogo é de 2011, na Arena do Jacaré em Sete Lagoas, porque o Independência era em reforma na época. Flamengo vinha de um título carioca invicto e ainda não tinha perdido no Brasileirão em 6 jogos. Mas eram apenas 2 vitórias e já 4 empates.

    No 29 de junho de 2011, Vanderlei Luxemburgo escalou Flamengo assim: Felipe; Léo Moura, Welinton, Ronaldo Angelim, Junior César; Willians, Luiz Antônio, Renato Abreu; Thiago Neves, Ronaldinho, Deivid. O time realmente era bom e poderia ter feito mais em campo, mais do que o 4o lugar no final do campeonato.

    Ronaldinho era o craque do time, já campeão carioca, já capitão. Para mim, era um erro, a braçadeira era mais para um líder como Ronaldo Angelim, Léo Moura ou Renato Abreu. Acho que Ronaldinho não é um capitão, um líder vocal, um líder no exemplo. E apesar do título carioca, era contestado pela torcida. Apesar dos gols, dribles, algumas jogadas de gênio, estava fora de forma, com atuações sem brilho, pênalti perdido e mais ainda. Até foi vaiado na eliminação da Copa do Brasil.

    Contra o América Mineiro, Ronaldinho brilhou desde o começo, com boladinha de calcanhar para Júnior César. Depois, cravou uma falta, a 20 metros do gol do Flávio. Ronaldinho na bola, dois passos, bola na gaveta. Golaço. Falta era a jogada do primeiro tempo, com dois gols vendo de uma falta, o Coelho conseguiu virar antes do intervalo. América 2×1 Fla após 45 minutos de jogo.

    Como no primeiro tempo, Ronaldinho brilhou desde o início do segundo tempo. Um duelo vencido, uma pedaladinha, e um chute do pé esquerdo, que passa bem perto do gol. No 10o minuto do segundo tempo, o gol do empate para Flamengo. Renato Abreu para Thiago Neves, com um drible curto e um passe de trivela para Deivid. De pivô, Deivid fez o gol do empate. O trio Ronaldinho – Thiago Neves – Deivid foi eficiente em 2011, com 21 gols para cada jogador na temporada. O time podia ter brilhado mais.

    Leandro Fereira foi expulso por falta dura no Willians. Gostava muito do Willians, um dos maiores pitbulls que vestiram o Manto Sagrado. Depois de uma tabelinha com Ronaldinho, Darío Botinelli, que tinha entrado em campo, quase fez o gol do 3×2, mas Flávio fez a defesa. Gostavo muito do Darío Botinelli, talvez não um dos maiores argentinos que vestiram o Manto Sagrado, mas um jogador que podia fazer a diferença saindo do banco.

    E Botinelli fez a diferença nesse jogo, com um passe cruzado para Ronaldinho. Com a tranquilidade do craque, Ronaldinho dominou e chutou, sem força, chutou colocado e preciso, para fazer o gol da virada, o gol da vitória. Uma vitória que tinha a cara do Ronaldinho. Infelizmente, não aconteceu tantas vezes nessa temporada.

    Flamengo ficou invicto até a 16a rodada, quando era vice-líder, com o mesmo número de pontos do que o líder e futuro campeão, o Corinthians. Mas depois, ficou 10 jogos sem nenhuma vitória! Uma série impossível para quem quer ser campeão. Flamengo poderia ter feito mais em 2011, mas pelo menos, ganhou no campo do América, com grande atuação do Ronaldinho.

  • Jogos eternos #12: Flamengo 2×0 Athletico Paranaense 2013

    Jogos eternos #12: Flamengo 2×0 Athletico Paranaense 2013

    Uma exceção hoje, nós não vamos de um jogo contra o adversário de dia, mas vamos de um título. Porque hoje é dia de decisão, é dia de título. Estou louco desde muito tempo para ganhar mais uma Copa do Brasil. Porque é mata-mata, é emoção. Gosto muito da Copa do Brasil, e desde que o Flamengo recomeçou a ganhar tudo, só falta o Mundial e a Copa do Brasil.

    Flamengo merece a Copa do Brasil e a Copa do Brasil merece Flamengo. Em 2013, os times classificados na Copa Libertadores estreavam na Copa do Brasil nas oitavas. Mas Flamengo, depois de uma temporada 2012 muita fraca, começou na Copa já na primeira fase. Passou Remo, Campinense, ASA. Eliminou o Cruzeiro campeão brasileiro, com gol de Elias no fim do jogo. Em meio a uma crise, goleou o Botafogo de Seedorf, com três de Hernane. Venceu duas vezes 2×1 Goiás na semifinal.

    Na final de ida, contra o Furacão, empate fora de casa. Inclusive, como foi esse ano contra o Corinthians. Ainda tinha a regra do gol fora de casa, e Flamengo podia ser campeão com um 0x0. O Maracanã foi reinaugurado esse ano de 2013, depois de anos longe de casa para o Flamengo, no Engenhão. Todo mundo queria estar no Maraca, apesar dos ingressos muitos caros. Ingresso mais barato era 250 reais, um absurdo. E o Maracanã estava lotado, com 68.857 torcedores. Com isso, Flamengo arrecadou quase 10 milhões de reais, quase um recorde, só perdendo para a final da Libertadores do mesmo ano.

    27 de novembro de 2013, Flamengo foi escalado assim: Felipe; Léo Moura, Wallace, Samir, André Santos; Amaral, Elias, Carlos Eduardo; Luiz Antônio, Paulinho, Hernane. O técnico era Jayme de Almeida, o interino de sempre, agora efetivado. Gostava muito de Jayme, era limitado como técnico, mas se há uma coisa que não pode ser duvidada, é seu rubro-negrismo. É próximo dos jogadores, e para um trabalho de poucos meses, para buscar um título, pode ser o nome ideal.

    No Maracanã, Flamengo dominou o primeiro tempo, sem fazer o gol. Luiz Antônio achou a junção do travessão e da trave de Weverton numa falta de bem longe. No segundo tempo, Hernane teve boas chances, de pé esquerdo, de cabeça, até de voleio. Ainda 0x0, a um gol de uma glória eterna ou de um vexame histórico.

    No 87o minuto, Elias achou em profundidade Paulinho, que cruzou para Hernane. Chutou de pé direito, Weverton rebateu com a cabeça. Hernane recuperou a bola, cruzou de pé esquerdo para Paulinho. Paulinho esperou e fez uma finta sensacional, um giro que deixou o defensor meio perdido. Paulinho para Elias, bem colocado na grande área, só esperando a bola para fazer a alegria dos torcedores, no Maracanã e no mundo inteiro. Elias para o fundo das redes, Flamengo 1×0.

    Esse gol teve a participação dos jogadores mais importantes do ano. Gostava muito de Paulinho, um driblador, bom de bola. Num time limitado, precisa de um jogador que pode fazer a diferença sozinho, ganhar 30 metros com uma arrancada, dois dribles e uma falta. E Elias reinou no meio de campo em 2013. Flamengo não fracassou por pouco em 2013 e boa parte do mérito é por Elias, líder técnico do time. E claro Hernane, que fez uma temporada de sonho, e que era quase um Obina para mim em termo de idolatria.

    O jogo começou as 21:50 no Brasil, e assisti ao jogo no meio da noite na França, sem poder gritar porque minha irmã estava dormindo no mesmo quarto. Não sei a qual hora aconteceu o gol do Elias em Paris, mas gritei em silêncio. Gosto muito de assistir aos jogos do Flamengo sozinho na noite, ainda mais para comemorar um título. Mas no fundo, o gol não mudava muitas coisas, com um gol só do Athletico, tinha de batalhar de novo para o tricampeonato.

    André Santos foi expulso, Manoel cabeceou, Felipe salvou. Num contra-ataque, Paulinho quase fez o segundo. Mas o segundo era para o homem do ano, o ídolo Hernane. Amaral achou na direita Luiz Antônio, que fez um drible de vaca e cruzou na área. O domino de Hernane não foi de craque, foi de ídolo. O chuto não foi na técnica, foi na raça, no amor, na paixão. Flamengo 2×0, Hernane acabou com o jogo, fez o gesto do acabou, o Maracanã em delírio, eu também em delírio no meu quarto dividido. Esse jogo foi uma das minhas maiores emoções com o Flamengo, o Flamengo era campeão.

    Hernane merecia muito esse gol, fez uma temporada de sonho. O Brocador foi artilheiro do campeonato carioca, vice-artilheiro do Brasileirão, artilheiro da Copa do Brasil. Fez 36 gols no ano, foi eleito craque da galera. Não era exatamente craque, mas era da galera, tinha essa ligação com a torcida que poucos têm. Deu muitas alegrias aos flamenguistas, a maior, sem dúvida, esse 27 de novembro de 2013, quando Flamengo foi tricampeão da Copa do Brasil.

  • Times históricos #5: Flamengo 1964

    Times históricos #5: Flamengo 1964

    O Flamengo de 1964 tinha alguns nomes conhecidos no elenco, como o goleiro Marcial, o zagueiro Ditão, o lateral-esquerdo Paulo Henrique, o meio-campista Nélson, o atacante Aírton. Tinha o ídolo, Carlinhos, de quem já falei aqui. E tinha também o gringo, Espanhol, chamado assim porque nasceu na Espanha. Se mudou no Brasil com seus pais, quando ele tinha 13 anos. Começou na base do Flamengo e jogou no clube até esse ano de 1964. Depois, jogou durante dez anos no Atlético de Madrid, jogando também pela seleção espanhola, com quem jogou a Copa do Mundo 1966.

    Flamengo tinha também como técnico uma lenda, Flávio Costa. Ganhou 4 títulos do campeonato carioca com Flamengo, e 4 outros com o Vasco. Depois, voltou no Flamengo, onde ganhou mais um título carioca, em 1963, no eterno Fla x Flu, na frente de 194 603 torcedores no Maracanã.

    Flamengo começou a temporada de 1964 com alguns jogos amistosos, inclusive o Torneio Internacional de Santiago, torneio de muita história e tradição. Flamengo venceu o Racing da Argentina, o Nacional do Uruguai, o Colo-Colo do Chile, mas a derrota contra Universidad do Chile logo na primeira rodada foi fatal e Flamengo ficou com o vice. Se recuperou e conquistou o Torneio Triangular de Medelin, vencendo tanto o Atlético Nacional que o Independiente.

    Primeira competição oficial do ano foi o Torneio Rio – São Paulo, em março. Flamengo começou com duas vitórias, contra Corinthians no Pacaembu e Vasco no Maracanã. No dois jogos, Aírton e Paulo Alves fizeram os gols. Depois, ganhou apenas mais um jogo no torneio, mas uma vitória histórica. No Maracanã, com 132.550 espectadores, Flamengo recebeu Santos. Pelé abriu o placar logo no primeiro minuto, Flamengo empatou, Pepe fez mais um pelo Peixe, Flamengo empatou de novo. E Flamengo virou, com gol de Aírton nos dez minutos finais. Mas no fim, o campeão foi Santos, com 14 pontos, quatro a mais do que Flamengo, que ficou na terceira colocação.

    Flamengo não parou de fazer história em 1964, com uma excursão na África, Ásia e Europa. Jogou na Costa de Marfim, Gana, Líbano. Fez 1×1 contra o Milan no San Siro, venceu o Troféu Naranja contra o Nacional do Uruguai e o anfitrião, Valência. Espanhol, quase em casa, fez o gol do título pelo Mengão. O Mengão goleou 5×1 a seleção da Alemanha Ocidental, com 5 gols de Aírton! Jogou também na URSS, o que viajou o Flamengo de 1964 foi brincadeira. Na excursão, foram 3 continentes, 14 jogos, 9 vitórias, 3 empates e apenas duas derrotas. Flamengo foi gigante no mundo inteiro.

    Para fechar o ano, o campeonato carioca. No primeiro turno, venceu Vasco e Botafogo, mas perdeu contra Bangu e Flu. No segundo turno, mais um Fla-Flu eterno, porém sem vencedor. No Maracanã, com 136.600 torcedores, foi 3×3. Grande nome do Flamengo foi Osvaldo, que fez o gol do 1×1 no início do jogo com um golaço de falta, e fez o gol do 3×3 no último minuto, de pênalti. Flamengo goleou Canto do Rio 6×0, mas depois teve um sequencia ruim, com derrotas contra America e Bangu, e empate contra São Cristóvão. No último jogo, Flamengo precisava de uma vitória contra Botafogo para ser campeão pela 15a vez de sua história, ou de um empate para força um triangular final. Mas perdeu o jogo, que também foi o último jogo de uma lenda do futebol brasileiro, Nílton Santos. Na decisão, Fluminense venceu Bangu. Aírton foi artilheiro do Flamengo, com 17 gols, a dois gols do artilheiro do campeonato, Amoroso do Fluminense.

    Como campeão carioca 1963, Flamengo jogou mais uma competição em 1964, a Taça Brasil. Estreou na semifinal com vitória no Ceará, contra o time do mesmo nome. No Maracanã, venceu mais uma vez o Ceará, com dois gols de Aírton e um de Carlinhos. Na final, um monstro, o Santos de Pelé. No Pacaembu, Flamengo foi goleado 4×1 com hat-trick de Pelé e gol de Coutinho. O 0x0 no Maracanã consagrou Santos.

    Apesar das decepções finais, Flamengo fez brilhar seu nome em 1964 nos quatro cantos do mundo, no Chile, na Colômbia e no Brasil, na África e na Ásia, na Europa do Oeste e do Este. Parabéns Flamengo!

  • Jogos eternos #11: Flamengo 3×2 Atlético Mineiro 1998

    Jogos eternos #11: Flamengo 3×2 Atlético Mineiro 1998

    Flamengo x Atlético Mineiro é um clássico do futebol brasileiro. Talvez o maior clássico interestadual. Dois jogos Flamengo x Atlético Mineiro fazem parte dos maiores jogos do Flamengo. Em 1980 e 1987. Duas vitórias 3×2. Hoje vamos de uma outra vitória 3×2, mas sem título no fim, em 1998.

    No Brasileirão 1998, Flamengo não estava bem. Na verdade, estava muito mal, com apenas 3 vitórias nos 15 primeiros jogos! Precisava de uma vitória para ainda acreditar numa classificação nas quartas de final. Poucas pessoas pareciam ainda acreditar no título, no Maracanã para enfrentar o Galo, tinha apenas 7.467 torcedores.

    No 3 de outubro de 1998, o lendário Evaristo de Macedo escalou Flamengo assim: Clemer; Pimentel, Ricardo Rocha, Luís Alberto, Vagner; Fabinho, Jorginho, Cleisson, Iranildo; Romário, Rodrigo Fabri. Romário merecia um time melhor do que isso.

    Romário era craque absoluto, um dos maiores jogadores da história do Flamengo. Começou com um chute no travessão, depois provocou uma falta com um drible sensacional. Um presente para Fabiano, que achou a gaveta do goleiro Emerson. Um golaço.

    No segundo tempo, o Galo empatou com um gol de uma outra lenda do futebol brasileiro, Paulo Baier, na época ainda chamado Paulo César. Romário provocou uma outra falta, agora com cartão vermelho, de Lima, que não conseguia parar Romário limpamente. Mesmo em desvantagem numérica, Galo desempatou, com gol de Marques.

    O Atlético Mineiro tinha 10 jogadores, Flamengo tinha 10 jogadores + um craque, Romário. Primeiramente, achou em um toque de trivela, de muita categoria, Cleisson, que achou duas vezes a trave no mesmo chute. Depois, Romário achou as redes do Atlético. Um domínio, um chute, um gol de Romário. Parecia muito simples. 2×2 no placar.

    Romário ainda tinha o gol da virada, uma jogada de craque, um golaço, no tempo adicional. Com um lateral jogado rapidamente pelo Jorginho, Romário dominou de joelho. Essa matada de bola parecia simples também, mas tem poucos jogadores capazes de fazer isso. Romário fez a finta de corpo, eliminou um jogador. Deixou de trivela para Iranildo, que procurou a tabela. No domínio, Romário eliminou mais um defensor. Também um domíniode craque. No mesmo lance, Romário fazia dois domínios de classe, uma chamada de bola de um típico centroavante que entende o jogo. Faltava a finalização, num ângulo fechado, não para Romário. Com força, Romário fez o gol da virada, a jogada do craque, o golaço.

    Inclusive, o gol relembre um pouco o gol de Nunes, também num 3×2 contra Galo, no Brasileirão de 1980. Mas o final em 1998 foi mais difícil para o Flamengo. Apesar de terminar o campeonato com 6 vitórias nos últimos 8 jogos, Flamengo não se classificou para as quartas de final. Romário merecia coisas melhores, mas mesmo assim, fez sonhar os torcedores no Maracanã contra o Atlético Mineiro, com dois gols no 3×2, sempre um bom placar para vencer o Galo.

  • Jogos eternos #10: Corinthians 0x1 Flamengo 2019

    Jogos eternos #10: Corinthians 0x1 Flamengo 2019

    Antes da final da Copa do Brasil, vamos relembrar um outro Corinthians x Flamengo da Copa do Brasil, na Arena Corinthians, em 2019. O ano precedente, os times já se haviam enfrentados na Copa do Brasil, na semifinal, com classificação do Corinthians, antes de perder a final contra o Cruzeiro de Arrascaeta.

    Flamengo teve de esperar um ano só para se vingar. Agora era oitavos de final, estreia na competição para o Flamengo. O Corinthians, que foi apenas 13o do Brasileirão 2018, começou na primeira fase, passando Ferroviário, Avenida, Ceará e Chapecoense para chegar nas oitavas de final.

    No 15 de maio de 2019, Abel Braga escalou Flamengo assim: Diego Alves; Pará, Rodrigo Caio, Léo Duarte, Renê; Willian Arão, Gustavo Cuellar, Arrascaeta; Everton Ribeiro, Bruno Henrique, Gabigol. Um time pronto a ser eternizado, com algumas peças diferentes daqui o fim do ano.

    Apito inicial de Anderson Daronco e primeira chance de Flamengo, com uma cabeçada de Léo Duarte. Flamengo dominou, mas Cássio fez algumas defesas. Jogo foi mais equilibrado no segundo tempo, com chutes de Danilo Avelar e Renê passando perto do gol. Mas no momento, ainda era 0x0.

    No 34o minuto do segundo tempo, Bruno Henrique, sem dúvida o jogador ofensivo do Flamengo mais em ação, cruzou na grande área, Willian Arão chegou de trás e cabeceou na gaveta de Cássio. Willian Arão, que começou sua carreira no Corinthians, fazia mais um gol de cabeça com o Manto Sagrado. Confesso que não era um grande fã do Willian Arão, mas ele fez gols importantíssimos pelo Flamengo e aquele contra o Corinthians foi um deles.

    Flamengo vencia 1×0 no jogo de ida, também venceu 1×0 no jogo de volta, mas caiu nas quartas de final contra o Athletico Paranaense. A história de hoje será diferente, mas esperamos o mesmo final na Arena Corinthians: vitória do Flamengo.

  • Ídolos #5: Júnior

    Ídolos #5: Júnior

    Agora eu vou usar os números das cronicas para escolher os ídolos. E com o número 5, escolher Júnior é mais do que justo. Confesso que às vezes não sei me posicionar com o Júnior. Às vezes, acho ele muito flamenguista, e outras vezes, não tanto. Certamente por isso, ele está fora de meu top 3 dos ídolos do Flamengo desde a era Zico. Não vejo nele o rubro-negrismo que têm Zico, Leandro, Adriano, meu top 3. Mas falando de carreira, de acontecimentos com o Manto Sagrado, ele está no top 2, só atrás de Zico. E para quem duvida, só um número para relembrar: 876. 876 jogos com o Manto Sagrado. Júnior foi tudo no Flamengo. Foi de Capacete a Vovô-Garoto, foi lateral-direito, lateral-esquerdo, volante. Foi líder. Foi campeão.

    Paraibano de nascimento, chegou no Rio ainda criança. Verdade que, por causa da influência do tio e do pai, era mais Fluminense no início. Virou Flamengo depois de assistir a uma vitória do Mengão contra Botafogo no Maracanã. “Gostava do Fluminense. Mas era o Flamengo que mexia comigo. Aquela força, a energia da torcida tinha muito mais a ver com a minha personalidade […] O micróbio foi parar nas minhas entranhas. A partir disso, como gosto de dizer, o Flamengo virou minha segunda pele” explicou Júnior no livre Os dez mais do Flamengo de Roberto Sander.

    Júnior jogou no futebol de areia, no futsal, no futebol. Fez teste no Fluminense, fez três meses no America, mas o destino era Flamengo. Foi na base com 19 anos já, pronto a esquecer o futebol para ganhar a vida. Mas quem ganhou foi a própria vida, e toda a torcida do Mengo, mexida nas entranhas com o futebol de Júnior. Começou na base como volante, sob as ordens do Modesto Bria, que também merece um capítulo nessa categoria.

    Mas depois virou lateral-direito e começou nos profissionais, em 1974. Firmou-se rapidamente no time titular, fazendo gols decisivos no fim da campanha do campeonato carioca. Contra America no triangular final, fez um gol quase do meio de campo, aquele gol que Pelé não fez, Júnior fez. Logo na primeira temporada como profissional, Júnior já era campeão. Em 1976, com a chegada de Toninho, foi na lateral-esquerda. Quando se fala de jogador ambidextro, sempre tem um pé mais forte do que do outro, o pé de origem. Júnior é talvez o mais ambidestro dos ambidestros, não parece ter pé de predileção, como se Deus tinha lhe dado dois pés já perfeitamente prontos para jogar futebol.

    Júnior foi o jogador com mais participações nos 73 jogos do tricampeonato carioca 1978-1979-1979 especial. Ele fez 70 jogos, com boa margem sobre os 65 de Zico e os 63 de Adílio. Deus também tinha lhe dado pernas de atleta, aprimoradas com a prática do futebol de areia e o profissionalismo. Júnior foi campeão carioca, recusou a proposta do Real Madrid em 1981 para ser campeão do Brasil, campeão da América, campeão do Mundo. Sempre com grandes atuações. Talvez é o maior parceiro de Zico da história.

    Júnior não precisava da Europa para brilhar, e mesmo assim brilhou na Europa. Brilhou na Espanha na Copa de 1982 e na Itália com Flamengo num torneio em 1984. Flamengo precisava de dinheiro e Júnior, com 30 anos, foi vendido. Brilhou durante 5 anos na Itália. Só com a primeira passagem dele no Flamengo, Júnior era uma lenda do Flamengo. Mas queria fazer mais, queria ser Maestro.

    Na sua biografia Minha paixão pelo futebol, Júnior explica que ele estava perto de renovar o contrato na Itália: “Estava inclinado a renovar o contrato, e o faria se meu filho, Rodrigo, involuntariamente, não tivesse interferido. Certo dia, estávamos todos assistindo a alguns jogos históricos em uma velha fita de videocassete. Com a camisa de número 5, vimos passagens em que eu dava passes certeiros para os companheiros do Flamengo. Meu filho, no auge da curiosidade de seus cinco anos, disparou: ‘Pai, quando eu vou ver você jogar no Maracanã?’ Não pensei duas vezes. Desliguei a televisão, olhei para Heloísa e disse: ‘Está na hora de voltar para casa!’ Era mais do que uma decisão. Era uma promessa ao meu primogênito”. Júnior era Flamengo de novo.

    E como 15 anos antes, quando começou como profissional, Júnior não esperou muito antes de brilhar com o Manto Sagrado. Virou Vovô, porque já estava velho, com cabelos grisalhados, e virou Vovô-Garoto, porque tinha mais forma de quem tinha 25 anos. De novo, Júnior foi campeão, da Copa do Brasil, a primeira da história do clube, do campeonato carioca 1991, onde ele abraçou o filho: “No fim do campeonato carioca de 1991 vivi um momento de glória e particularmente emocionante porque havia um convidado especial assistindo àquele Fla-Flu. Quis ainda o destino que eu protagonizasse o quarto e último gol da partida. Quando faltavam três minutos para o fim do jogo, olhei para o meu convidado, próximo à beira do campo, sentadinho, ansioso para ouvir o sonoro apito final. Mal o juiz levou o apito à boca, Rodrigo se levantou e disparou chorando em direção ao meu abraço. Vinha comemorar como se ele fosse um dos jogadores. Entre soluços, me disse: ‘Pai, nós ganhamos, somos campeões.’ Naquele abraço apaixonado, eu honrava, finalmente, a promessa, feita ainda em Pescara, de que meu filho me verá jogar no Maracanã. A alegria de um abraço no fim de um jogo vitorioso só o futebol traduz. Mas, dessa vez, a comemoração extrapolara o lado esportivo. Era um encontro mágico entre pai e filho”.

    E em 92 a falta foi de Júnior. Em 1992, o que não faltou, foi Júnior. Em 1992, Júnior fez de tudo. Se tornou líder de um time jovem, cheio de craques e promessas. Jogou no meio de campo com maestria. Fez gols de falta, matando a saudade do craque e do amigo de sempre. Talvez o pentacampeonato é o Brasileirão conquistado pelo Flamengo com a maior ligação a um jogador. 1992 vem com Júnior, e Júnior vem com 1992, como ele vem com 1974, 1978, 1979, 1980, 1981, 1982, 1983, 1990, 1991 até pendurar as chuteiras em 1993. Júnior foi campeão, quase todos os anos, Júnior campeão, e até depois de parar de jogar, Júnior ainda campeão do mundo, no futebol de areia tão amado, com um amigo, craque e Rei, Zico. “Sempre foi muito fácil jogar com o Léo. Nós nos entendíamos só no olhar. Um já imaginava o que o outro ia fazer e aí era só se preparar para receber a bola. Treinávamos também muitas jogadas e, quando aparecia a oportunidade, era só realizá-las” explica o Rei no livro Os 11 maiores laterais do futebol brasileiro, de Paulo Guilherme.

    Comecei essa crônica na dúvida sobre o rubro-negrismo de Júnior, e agora estou conquistado, pelo futebol e pela carreira do Vovô-Garoto com o Manto Sagrado. Deixo então a palavra para o próprio Maestro, que escreveu o prefácio do livro Grandes jogos do Flamengo, da fundação ao Hexa, de Roberto Assaf e Róger Garcia: “Algumas pessoas me perguntam como foi jogar no Flamengo. Não dá para descrever. Até hoje não encontrei uma palavra, uma frase, que possa definir a sensação de entrar no Maracanã lotado, seja decisão ou não, vestindo o Manto Sagrado. É uma responsabilidade […] O Flamengo sempre será minha segunda casa e sua camisa, a segunda pele”.

  • Jogos eternos #9: Cuiabá 0x2 Flamengo 2021

    Jogos eternos #9: Cuiabá 0x2 Flamengo 2021

    Dias de jogo, gosto de relembrar um jogo eterno contra o mesmo time, com o mesmo mandante. Para hoje, não tive dúvida nem escolha: só teve um Cuiabá x Flamengo na história. Graças a Deus, Flamengo ganhou.

    Jogo foi ano passado, ainda no início do Brasileirão. Como Flamengo tinha atletas convocados para a Seleção, principal e olímpica, o clube conseguiu adiar alguns jogos do Brasileirão. Começou com 3 vitórias e 2 derrotas, e com 2 jogos adiados, precisava de pontos para aparacer na parte alta da tabela.

    Cuiabá, para seu primeiro ano na Série A, precisava também de pontos, com 4 empates, uma derrota e nenhuma vitória. Mas ainda não tinha perdido na Arena Pantanal na temporada, seja no campeonato mato-grossense, seja no Brasileirão.

    No 1o de julho de 2021, Rogério Ceni escalou um Flamengo bem ofensivo: Gabriel Batista; Matheuzinho, Willian Arão, Rodrigo Caio, Filipe Luís; João Gomes, Diego; Vitinho, Michael, Bruno Henrique, Pedro. No dia seguinte, Brasil derrotou o Chile na Copa América, com Everton Ribeiro e Gabigol no banco, por isso eram desfalques contra Cuiabá. Pelo mesmo motivo, faltaram Isla e Arrascaeta.

    Não tinha Gabigol, mas tinha Pedro. No início do jogo, Vitinho recuperou uma bola na parte alta do campo de Cuiabá. De primeira, Bruno Henrique achou na área João Gomes, que girou de calcanhar em cima do defensor, e deixou para Pedro abrir o placar. Era o segundo gol de Pedro no Brasileirão 2021, em 4 jogos.

    Flamengo teve oportunidades de fazer o segundo gol, com Bruno Henrique e Vitinho, mas Walter fez boas defesas. Flamengo matou finalmente o jogo no tempo adicional, com dois jogadores que tinham entrado no segundo tempo, Rodrigo Muniz e Thiago Maia. Alias, era o segundo jogo de Thiago Maia desde sua lesão no joelho, em novembro de 2020. Num contra-ataque, Rodrigo Muniz deixou Thiago Maia cara a cara com o goleiro. Com tranquilidade, Thiago Maia fez seu primeiro gol com o Manto Sagarado.

    Cuiabá 0x2 Flamengo, Cuiaba perdia a invencibilidade na Arena Pantanal e Flamengo voltava na 6a colocação na tabela.

  • Jogos eternos #8: Flamengo 1×0 Internacional 1980

    Jogos eternos #8: Flamengo 1×0 Internacional 1980

    No 2 de março de 1980, ainda era o início do Brasileirão. No Maracanã, foi um jogo entre o campeão em título, Internacional, e o futuro campeão, Flamengo. Ainda mais, Internacional foi campeão invicto em 1979, até hoje o único da história do Brasileirão. Mas em 1980, já tinha perdido a invencibilidade, já na primeira rodada, uma surpreendente derrota em casa contra Itabaiana. Flamengo tinha jogado apenas um jogo no Brasileirão de 1980, uma vitória 1×0 contra Santos.

    Mesmo desfalcado de Falcão, o Inter tinha craques, como Batista e Mário Sérgio, ambos expulsos durante o jogo. Outro expulso do Internacional nesse jogo foi Adilson Miranda, que morreu nesse ano de 1980, de um acidente de carro, com apenas 30 anos.

    Flamengo também tinha craques, com o maior de todos, Zico, que, mais uma vez, ia demostrar a beleza de seu futebol nesse jogo. No 2 de março, Flamengo foi escaldo assim pelo técnico Cláudio Coutinho, que também morreu precocemente, em 1981: Raul; Carlos Alberto, Marinho, Rondinelli, Júnior; Andrade, Carpegiani, Adílio; Tita, Zico, Reinaldo.

    Jogando em branco, num Maracanã em festa, Flamengo começou bem o jogo, sem fazer o gol. O gol veio no segundo tempo. No lado direito, Tita para Andrade. Esse Flamengo se achava de olhos fechados, se conhecia de coração e cérebro. O movimento do Zico foi perfeito, o de Andrade também. O passe de Andrade foi perfeito, a finalização de Zico também. 1×0 Flamengo. “Mengo, Mengo, Mengo”, canta a torcida, em festa.

    No fim, Flamengo quase fez um outro golaço. Outra jogada de olhos fechados e cérebro aberto, com um passe de calcanhar de Zico. Mas o Tita chutou na trave. Sem consequência, Flamengo ganhava 1×0 e conquistava sua segunda vitória em dois jogos de um campeonato que ainda ia trazer muitas felicidades aos rubro-negros.

  • Times históricos #4: Flamengo 1993

    Times históricos #4: Flamengo 1993

    O time de 1993 teve craques de alta qualidade: Djalminha, Marcelinho Carioca, Renato Gaúcho, Casagrande. Tinha também Gilmar, Júnior Baiano, Wilson Gottardo, Marquinhos, Charles Guerreiro, Paulo Nunes, Gaúcho. Até de técnicos, Flamengo era bem servido nesta temporada: Carlinhos, Jair Pareira, Evaristo de Macedo, Júnior. Imagina um time com esses jogando juntos. Mas claro, uma temporada com tantos técnicos diferentes não pode ser ótima.

    Começou a temporada com o campeonato carioca e a Libertadores. Na Libertadores, começou com um empate e uma derrota, mas depois se recuperou, e se classificou nas oitavas após uma vitória contra o Atlético Nacional no Maracanã. Eram muitos jogos, estreou também na Copa do Brasil, estreou direito, com uma goleada 4×0 contra América-RN e três gols de Nílson.

    O Flamengo de 1993 poderia ter sido histórico. Eram muitos jogos, muitas competições, e muitas goleadas também, em poucos dias. 31 de março, um 5×0 contra America no campeonato carioca. 3 de abril, um 3×0 contra Paysandu na Copa do Brasil. 5 de abril, um 3×0 contra Bangu no campeonato carioca. E depois o jogo mais eterno da temporada, contra Minerven, no Maracanã, no jogo de ida das oitavas da Copa Libertadores. Começou com um gol contra de Minerven, e depois foi apenas o Mengão. Gol de Marcelinho Carioca, Gaúcho, Nélio, Wilson Gottardo, Marquinhos, Djalminha, Nílson. 8×0 e no fim, Minerven salvou um pouco de honra com dois gols, para um 8×2 eterno. Sete jogadores diferentes no placar, um time histórico.

    O Flamengo de 1993 poderia ter sido histórico. Ainda mais que tinha uma camisa muita bonita, brilhante, com foi o Mengo nesse ano. Mas caiu nas quartas de final da Libertadores, contra o campeão em título, e também futuro campeão, São Paulo. Perdeu um jogo decisivo do campeonato carioca, contra o campeão em título, e também futuro campeão, Vasco. E quatro dias depois, perdeu contra Grêmio na semifinal da Copa do Brasil. Em pouco mais de um mês, Flamengo estava eliminado de três competições.

    Mas era uma temporada longa, com muitas competições. Estreou com um Fla-Flu no Torneio Rio – São Paulo, de volta pela primeira vez desde 1966. Renato Gaúcho abriu o placar, mas Flamengo cedeu o empate no último minuto. No último jogo do grupo, podia se classificar para a final com uma vitória contra Santos no Vila Belmiro. No intervalo, 0x0. Mas no 27 de julho de 1993, exatamente 18 anos antes do 5×4 eterno, Santos fez 4 gols, fazendo um 4×0 histórico. Flamengo salvou um pouco de honra com três gols nos últimos dez minutos, mas não salvou a classificação. Santos 4×3, Flamengo eliminado. Um Flamengo que poderia ter sido histórico, mas que começava a não ser.

    Em setembro era momento de estrear no Brasileirão. De novo, começou o campeonato com um 1×1, contra Bragantino. O jogo de volta foi pior, bem pior, com uma derrota 5×1. Mesmo assim, se classificou para a segunda fase, contra Santos, Corinthians e Vitória. Nessa fase, ficou na última colocação, com nenhuma vitória em 6 jogos.

    Agora, só faltava uma competição para ser campeão, a Supercopa Libertadores. Começou com uma derrota 1×0 contra Olímpia, mas na volta no Maracanã, Renato Gaúcho abriu o placar de cabeça. Num escanteio, Casagrande fez o gol do 2×0, também de cabeça. Gostava muito do Casagrande, acho que ele tinha muito carisma, mas fez pouco no Flamengo. Apenas 35 jogos e 7 gols. Em seguida, Nélio provocou um pênalti depois de uma caneta sensacional. Júnior Baiano, com tranquilidade, transformou o pênalti. Flamengo estava nas quartas de final.

    Contra River Plate, de novo Flamengo foi derrotado por 1×0 na ida. De novo, Flamengo voltou no Maracanã, de novo com um gol de cabeça, agora de Rogério depois de um cruzamento de Marcelinho. O jogo foi nos pênaltis, Magno, que tinha entrado durante o jogo, perdeu. Silvani, que também tinha entrado durante o jogo para River, também perdeu. Éder Lopes? Também reserva no início do jogo, também perdeu. E Fernandez, agora titular, também perdeu. Quatro pênaltis perdidos em seguida! Os jogadores não sabiam mais fazer um pênalti, então precisava de um goleiro. Gilmar foi para a cobrança e desfez a igualidade com força, agora 3×2 para Flamengo. Todo mundo achou o caminho das redes do novo, foi de 3×2 a 5×4. Agora, o outro goleiro, Sodero, para fazer o pênalti. Não tremeu, 5×5. Gélson fez 6×5 para o Flamengo. Corti não fez para River, Gilmar fez a defesa e virou herói, River cortado da Supercopa, Flamengo na semi.

    A semifinal, contra Nacional, foi mais fácil. Vitoria 2×1 no Maracanã, gols de Casagrande e Renato Gaúcho. Vitoria 3×0 no Gran Parque Central, dois de Nélio, um de Renato Gaúcho, Flamengo na final. Agora era jogo de título, jogo de vingança também, contra São Paulo, que tinha eliminado o Flamengo da Libertadores. Um jogo para deixar o ano 1993 histórico.

    Jogo de ida, no Maracanã, dia 17 de novembro, não do aniversário do Flamengo não, mas da fundação sim. E foi um jogador da base que abriu o placar, mas agora jogando pelo São Paulo, Leonardo, aproveitando de uma bola perdida de Júnior Baiano. Marquinhos empatou, um golaço depois de driblar dois defensores, e desempatou, aproveitando a falha de Zetti. Flamengo teve oportunidades de fazer o terceiro, mesmo depois da expulsão de Júnior Baiano, mas Zetti segurou. E no fim, empate de um jogador que ia vestir o Manto Sagrado, Juninho Paulista, que tinha entrado no lugar de Palhinha. 2×2 no Maracanã.

    No jogo de volta, Renato Gaúcho calou o Morumbi no início do jogo, de novo com um gol de cabeça. São Paulo fez gols com os mesmos jogadores do que na ida: Leonardo e Juninho Paulista. Flamengo empatou, também com um jogador que tinha feito o dele na ida, ou melhor os dois dele, Marquinhos, de novo com um chute de fora da área. 2×2, o jogo precisava de um vencedor, de um campeão, e foi nos pênaltis. Flamengo tinha vencido uma disputa de penalidades, nas quartas, e São Paulo, uma outra, nas semifinais, contra o Atlético Nacional. No Morumbi, todo mundo fez o pênalti, menos o melhor cobrador da disputa, Marcelinho, que achou a trave de Zetti. São Paulo campeão, Flamengo sem título no ano 1993.

    Flamengo fechou a temporada com nenhuma vitória nos últimos 9 jogos de 1993! Um ano que poderia ter sido histórico, mas que não foi.

O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”